"Pressão de trôpegos estrategistas"

"Pressão de trôpegos estrategistas"

» Luana Melody Brasil Especial para o Correio
postado em 01/06/2017 00:00
 (foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 8/3/17)
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 8/3/17)


Apesar de ter um nome da própria casa assumindo a pasta da Transparência, o clima entre os auditores-fiscais ainda é de alerta em relação a uma possível indicação do Planalto para o cargo que foi ocupado por Torquato Jardim. Após a recusa do ex-ministro Osmar Serraglio, o secretário executivo Wagner Rosário assumiu interinamente a chefia da pasta, o que a princípio acalmou os ânimos na Controladoria-Geral da União (CGU). Nos bastidores, interlocutores do presidente Michel Temer afirmam que as mudanças na pasta não serão imediatas.

Os auditores da pasta, no entanto, continuam preocupados. De acordo com Rudinei Marques, presidente do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon), que representa a Controladoria-Geral da União, o grupo voltará a ser combativo caso seja indicado pela Presidência um nome que não se encaixe no perfil da pasta.

;A nossa expectativa é que Wagner Rosário continue à frente do ministério. Mas caso ele não seja mantido, não será aceita indicação feita por ingerência política, com objetivo de manter foro de políticos investigados;, atacou Marques, referindo-se à tentativa do governo de enviar Serraglio para a pasta da Transparência, uma manobra interpretada como tentativa de blindar o deputado Rodrigo Rocha Loures, suplente de Serraglio e investigado na Operação Lava-Jato após ter sido gravado correndo com uma mala de propina da JBS.

Ao contrário do que se tem especulado nos bastidores da Câmara dos Deputados desde o início desta semana, o PMDB não tem interesse em assumir nem a pasta da Transparência, nem a da Cultura, segundo esclareceu ontem o líder do partido na Casa, deputado Baleia Rossi (PMDB-SP). ;Houve uma boataria maldosa de que a bancada indicaria para o ministério (da Transparência) um nome do PMDB do Paraná. Não tem nenhum pleito do partido hoje para ocupar qualquer espaço na Esplanada;, destacou Rossi.

Serraglio divulgou uma carta ontem na qual faz um balanço de seus poucos meses de gestão na pasta e diz que Temer sofreu pressões de ;trôpegos estrategistas;. Para seus correligionários, a exoneração do ex-ministro foi uma saída honrosa, uma vez que ficou na conta do Planalto o desmazelo na comunicação com o ex-ministro. Nessa perspectiva, os correligionários de Osmar Serraglio acreditam que teria sido pior para ele deixar a pasta da Justiça devido à denúncia contra ele na Operação Carne Fraca.




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