Norte-Sul está parada

Norte-Sul está parada

postado em 08/06/2017 00:00

Além da demora na conclusão de grandes obras, a infraestrutura do país sofre com a precariedade por conta do atraso na operação dos empreendimentos. Entregues em 2014, o trecho de 850 quilômetros entre Anápolis (GO) e Palmas (TO) da Ferrovia Norte-Sul e um ramal de 40 quilômetros de conexão até o Porto Seco não funcionam até hoje. O presidente da Frente Nacional pela Volta das Ferrovias (Ferrofrente), José Manoel Ferreira Gonçalves, disse que falta a concessão operacional do trecho.

;A corrupção é o grande problema. Está tudo parado. Inclusive o que está pronto. Os operadores independentes querem trabalhar e não conseguem;, ressaltou. Gonçalves explicou que eles poderiam transportar cerca de 1 mil toneladas por hora, embarcando mais de 80 vagões de 100 toneladas a cada oito horas. ;Mas não estão fazendo isso. Só em frete, a economia seria de R$ 1 bilhão por ano apenas neste trecho, fora os acidentes que seriam evitados com menos caminhões nas estradas;, afirmou.

Na semana passada, o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves foi preso, acusado de corrupção na Ferrovia Norte-Sul. ;Por conta disso, o empreendimento não recebeu os investimentos finais. Faltam R$ 700 milhões para chegar a São Paulo. Com a economia de R$ 1 bilhão por ano, daria para pagar o que falta. Mas o Brasil tem patrão e a engenharia está refém;, destacou.

Gonçalves alertou que investidores russos demonstraram interesse em operar a Norte-Sul, mas não tiveram garantia de que os trilhos vão chegar aos portos. ;Até os russos, que são especialistas em ferrovia e em corrupção, botaram o pé no freio;, disse. Na opinião do especialista, é necessário um novo marco regulatório para o setor ferroviário. ;Como está, é uma mistura de corrupção e incompetência;, alertou. Ele disse, ainda, que o governo não pode falar em renovações por mais 40 anos sem que um inventário seja realizado. ;É preciso estabelecer critérios de qualidade;, completou. (SK)

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