Discernimento e compromisso

Discernimento e compromisso

postado em 08/06/2017 00:00

Nos próximos dias, R$ 13,9 bilhões chegarão às mãos dos brasileiros. O maior volume ; R$ 10,9 bilhões ; será da liberação do saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os nascidos entre setembro e outubro, neste fim de semana. O restante (R$ 3 bilhões) virá da antecipação da restituição de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), que começaria a ser paga em 16 de junho. O Executivo investirá R$ 2,1 bilhões para a construção de mais 25.664 imóveis pelo programa Minha Casa Minha Vida.
A agricultura familiar contará com R$ 30 bilhões para o custeio, como previsto no Plano Safra. O agronegócio disporá de R$ 190 bilhões, volume recorde. No total, R$ 236 bilhões serão combustível para manter em movimento a roda da economia. O intuito é evitar que a instabilidade do ambiente político trave o ritmo das medidas destinadas à superação da crise, que mergulhou o país na mais profunda recessão da história recente.
Os primeiros sinais, ainda que tímidos, de que o pior passou foram dados na semana passada. No primeiro trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1% na comparação com o resultado dos últimos três meses de 2016. O desemprego caiu de 14,2 milhões para 14 milhões de pessoas. Pode-se dizer que é muito pouco, mas mostra que o mercado começa a se abrir e a oferecer oportunidades. Ou seja, alguns segmentos do setor produtivo passam a demonstrar confiança nas medidas anunciadas pela equipe econômica do governo.
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, manterá a tendência de redução da taxa de juros, o que favorecerá a tomada de empréstimos por pessoas físicas e jurídicas. Trata-se de fator importante, seja para o consumo, seja para liquidação de dívidas antigas dos cidadãos. Para as empresas, dinheiro a custo menor estimula investimentos e contratação de mão de obra. A inflação segue em declínio. Projeção inicial da equipe econômica deverá se confirmar no encerramento deste ano, com índice abaixo do centro da meta (4,5%). O país voltará a ter juros e inflação na casa de um dígito, ou seja, indicadores civilizados, que assegurem o poder de compra dos trabalhadores.
Os sinais emitidos pela economia reforçam a necessidade de o Congresso ter maior empenho na aprovação das reformas trabalhista e da Previdência, além de outras igualmente essenciais à retomada do crescimento econômico. Os parlamentares podem e devem imprimir maior velocidade à votação dos projetos em pauta. Hoje, há previsão de que as mudanças no sistema previdenciário só entrarão em pauta no segundo semestre.
Separar a crise política da economia é essencial para o país. À medida que os parlamentares postergam decisões que têm impacto na vida e no bolso do eleitor, apenas tornam o ruim muito pior. Criam impasses prejudiciais a todos. Daí a importância de o Congresso ter discernimento, compromisso e maturidade para evitar que os conflitos ideológicos contaminem a trajetória de bons resultados, mesmo que tímidos, rumo à estabilidade fiscal. Sem recuperar credibilidade ante os investidores nacionais e estrangeiros, o Brasil seguirá enfrentando dificuldades para chegar à via do desenvolvimento econômico, essencial para dar consistência às políticas sociais.

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