Maternidade insegura

Maternidade insegura

RENATO ALVES renatoalves.df@dabr.com.br
postado em 08/06/2017 00:00

Quinze anos após o reencontro de Pedrinho com os pais biológicos, Brasília voltou a ser cenário do desaparecimento de um bebê em maternidade. Em 1986, uma mulher que se passou por enfermeira levou Pedro Rosalino Braule Pinto da maternidade do Hospital Santa Lúcia, no primeiro dia de vida dele. Na última terça-feira, uma ex-estudante de enfermagem, segundo a polícia, raptou Johny dos Santos Júnior, nascido havia 12 dias. A criança receberia alta ainda na manhã de ontem. As duas raptoras simularam gravidez para enganar a família.
Moradora de Goiânia, Vilma representou uma gravidez e sequestrou Pedrinho, em janeiro de 1986, para forçar o companheiro, Osvaldo Martins Borges, a se casar com ela. Osvaldo se separou da família e criou Pedrinho com Vilma, em Goiânia, como se fosse seu filho legítimo. A farsa só foi descoberta em 2002, depois da morte de Osvaldo. O crime foi confirmado com teste de DNA, em 8 de novembro daquele ano. Pedrinho tinha sido registrado por Vilma como Osvaldo Martins Borges Júnior.
Moradora do Guará 2, Geisiana havia dito a familiares e amigos que engravidou no fim de 2016. Chegou a publicar fotos com uma suposta barriga da gestação, coberta por roupa, nas redes sociais. Queria um filho de qualquer maneira. Escolheu Johny dos Santos Júnior. Sara Maria da Silva, 19 anos, deu à luz o menino em um posto de saúde na Estrutural, em 25 de maio. Desde então, mãe e filho estavam internados em um quarto conjunto no 2; andar do Hran, onde Geisiana é acusada de ter entrado e praticado o crime.
Ambos os casos evidenciaram falhas na segurança das unidades de saúde. Em janeiro de 1986, o Santa Lúcia não tinha controle rígido de visitantes. Tanto que Vilma esteve no hospital mais de uma vez, entrou e circulou livremente. Teve tempo de escolher a vítima com o perfil desejado. E saiu com Pedrinho pela porta da frente, sem ser incomodada. No caso do Hran, havia 28 câmeras de vigilância, mas nunca funcionaram. Elas não filmaram nada, muito menos gravaram algo. A suspeita entrou na unidade de saúde pública, circulou pelos corredores e salas e saiu com um bebê, que não era dela. Ela tinha ido lá dias antes. Nas duas visitas, fez registro na portaria. De acordo com as investigações, apresentou-se como Juliana e passou pela recepção, sem maiores comprovações.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação