Trump de volta à berlinda

Trump de volta à berlinda

O Senado ouve hoje o ex-diretor do FBI James Comey, peça-chave nas investigações da %u201Cconexão russa%u201D na eleição de 2016. Em depoimento escrito, ele reafirma que o presidente lhe pediu para %u201Cdeixar de lado%u201D o ex-conselheiro de Segurança Nacional

postado em 08/06/2017 00:00
 (foto: Jim Watson/AFP
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(foto: Jim Watson/AFP )


O esperado depoimento de hoje do ex-diretor do FBI (polícia federal dos EUA) James Comey ao Comitê de Inteligência do Senado promete emoções fortes para a Casa Branca e para Donald Trump, a julgar por trechos do depoimento escrito que ele apresentará hoje. No texto, liberado pelo comitê, Comey reafirma que o presidente lhe pediu para ;deixar quieto; o tema das suspeitas em torno das relações entre o ex-conselheiro da presidência para Segurança Nacional, Michael Flynn, e emissários da Rússia, durante a campanha presidencial de 2016 e a transição de governo. Demitido por Trump, Comey registrou em memorandos os pedidos do chefe de Estado para que contivesse as investigações do FBI sobre a ;conexão russa;. Na véspera da audiência, o presidente anunciou o ex-procurador federal Christopher Wray como novo diretor da polícia federal.

;Ele me disse: ;Eu espero que você possa encontrar uma forma de deixar isso de lado, de deixar Flynn em paz. É um homem de bem. Tenho a esperança de que possa se esquecer disso;;, relata Comey no depoimento, citando Trump durante reunião que mantiveram em 14 de fevereiro, no Salão Oval da Casa Branca. ;Eu entendi que o presidente estava pedindo que deixássemos de lado qualquer investigação sobre as falsas declarações (do ex-conselheiro) em torno das conversas com o embaixador russo, em dezembro;, disse Comey em nota.

O ex-diretor do FBI descreve um jantar com o presidente, na Casa Branca, em 27 de janeiro, no qual teria sido questionado sobre a permanência à frente do FBI. Em suas palavras, Comey diz que afirmou ao presidente que não seria ;confiável na forma como os políticos usam essa palavra;, mas comprometeu-se a ;dizer a verdade;. O ex-diretor narra a sequência do diálogo: ;O presidente disse: ;Eu preciso de lealdade, eu espero lealdade;. Eu não me movi, não falei nem alterei a expressão facial durante o silêncio constrangedor que se seguiu.;

Comey deve sustentar perante os senadores que Trump o pressionou repetidamente para que afirmasse, em público, que ele (o presidente) não era alvo de investigação no caso da ;conexão russa;. Em um memorando entregue ao Senado, que o publicou ontem, o ex-diretor menciona um telefonema de 30 de março, no qual Trump lhe perguntou como seria possível ;dissipar a nuvem; sobre a Casa Branca e admitiu que as suspeitas em torno da Rússia estariam comprometendo sua capacidade para governar.

Na expectativa pelo comparecimento de Comey perante o Senado, vários bares de Washington decidiram abrir as portas mais cedo, nesta noite, para que os frequentadores possam acompanhar a audiência ao vivo.

Novo diretor

Na véspera do depoimento do ex-diretor, o presidente anunciou que nomeará para substituí-lo à frente do FBI o ex-procurador federal Christopher Wray, que hoje integra a equipe de um importante escritório de advocacia. Pelo Twitter, o presidente afirmou que se trata de ;um homem de credenciais impecáveis; para o posto. Seu primeiro desafio será garantir a independência da polícia federal e dos mais de 30 mil funcionários, assim como convencer a opinião pública de que a instituição enfrentará a Casa Branca, se necessário.

;Espero servir ao povo americano com integridade, como líder de um extraordinário grupo de homens e mulheres que dedicam a carreira a proteger este país;, disse Wray ao ser indicado, de acordo com a Casa Branca.

;Ele (Tump) me disse: ;Espero que você possa encontrar uma forma de deixar isso; de lado, de deixar Flynn
em paz;

O presidente disse: ;Eu preciso de lealdade, eu espero lealdade;. Eu não me movi, não falei nem alterei a expressão facial durante o silêncio constrangedor que se seguiu;

James Comey, ex-diretor do FBI

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