Nosso time corre perigo

Nosso time corre perigo

Patrocinador máster decide deixar a equipe da cidade. Parceria vitoriosa com o UniCeub durou sete anos. Os últimos meses foram marcados por atrasos de pagamento e indefinição em relação ao futuro

Braitner Moreira
postado em 08/06/2017 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 16/9/16
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(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 16/9/16 )


Dois títulos do Novo Basquete Brasil (NBB), três conquistas da Liga Sul-Americana e tantos momentos de emoção nos ginásios da Asceb e Nilson Nelson. O casamento do centro universitário UniCeub com o basquete brasiliense foi uma das parcerias mais bem-sucedidas da história da modalidade no país, mas chegou ao fim.

Principal patrocinador do time da cidade desde 2010, o centro universitário decidiu cortar os investimentos a partir de 31 de julho, quando expira o contrato. Em nota, a instituição lembrou os feitos que a parceria conquistou e o incentivo à formação de atletas na cidade, ;contribuindo para que Brasília se tornasse referência no cenário brasileiro desse esporte;. ;Hoje, a capital federal reúne um núcleo forte de treinamento de base e é esse o grande legado que deixaremos para as futuras gerações;, diz o comunicado. ;Diante desse contexto e com a certeza de ter cumprido essa importante missão e ter escrito uma história de conquistas, nos despedimos e agradecemos a todos os profissionais envolvidos, especialmente, aos torcedores desta arena que se tornou Brasília.;

Os bastidores das últimas semanas indicavam o fim do projeto. Salários dos jogadores estão atrasados e a premiação da Liga Sul-Americana, torneio encerrado no início de novembro, quando o time caiu nas semifinais, ainda não foi paga. O acerto dos R$ 35 mil mensais de aluguel do Ginásio da Asceb, onde a equipe treina e joga, está pendente.

Além disso, o time era um dos poucos do NBB que ainda não havia iniciado negociação com jogadores ou patrocinadores para a próxima temporada, uma indefinição que incomodou o elenco. Para disputar a competição, os clubes precisam apresentar uma certidão de Situação Regular de Valores Contratuais, comprovando que não têm débitos. Em caso de recusa, o time estará automaticamente barrado.

E agora?
Sem o UniCeub no comando, a continuidade da capital no NBB, a principal liga do país, corre perigo. Isso porque a equipe teve, nas últimas temporadas, três patrocinadores principais: UniCeub, Terracap e BRB. O primeiro decidiu sair, o segundo reconhece um rombo de R$ 1,3 bilhão nas contas e o último é o único interessado em manter o apoio.

Por meio de assessoria de imprensa, a Terracap informou que ;ainda não há uma decisão tomada acerca desse assunto e também não temos previsão de quando teremos;.

Desde 2010, quando o UniCeub assumiu o lugar do Universo como principal patrocinador da equipe, o dono da vaga no NBB é o Instituto Viver Esporte (IVE), organização sem fins lucrativos presidida por Homero Oliveira Neto, funcionário do próprio UniCeub, ex-chefe do departamento de recursos humanos da entidade.

Hoje, o IVE funciona no câmpus do UniCeub, atrás do ginásio de esportes da instituição. Devido à proximidade entre a organização e o centro de ensino, a continuidade do projeto em Brasília é incerta. Por ser o dono da vaga, o IVE pode cedê-la ou vendê-la para um interessado, seja na capital, seja fora. Qualquer negócio dependerá do aval da Liga Nacional de Basquete, por meio de assembleia, provavelmente a ser realizada na segunda quinzena de julho.

No NBB, é comum que os patrocinadores mais importantes participem das decisões das equipes, como ocorre em Brasília. Essa relação é parecida nos casos de Solar-Basquete Cearense, Universo-Vitória e Franca-Magazine Luiza, por exemplo.

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