Problemas constantes

Problemas constantes

Seja por desgaste natural, seja por falta de cuidado do motorista, algumas peças podem comprometer o funcionamento do automóvel. Siga as dicas e previna-se dessa dor de cabeça

Álef Calado*
postado em 08/06/2017 00:00
 (foto: Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Jhonatan Vieira/Esp. CB/D.A Press)

Por mais tecnológicos e modernos, os carros são compostos por sistemas complexos que precisam passar por revisões e manutenções periódicas. Para não ter muita dor de cabeça, o ideal é seguir a algumas recomendações gerais das montadoras. Os fluidos ; e seus respectivos filtros ; devem ser trocados, em média, a cada 10 mil km; as pastilhas e discos de freio, assim como as correias dentadas, desgastam e precisam de atenção especial a cada 30 ou 40 mil km; o nível da água do reservatório do radiador não pode ficar muito abaixo do limite e tanto as velas quanto os cabos de vela precisam ser substituídos.


As montadoras fazem de tudo. Quando o proprietário deixa para fazer as manutenções só quando o carro para de andar, o estrago pode ser ainda maior. ;Ao pular as manutenções preventivas, o proprietário está sujeito a realizar a chamada manutenção corretiva, que ocorre depois da quebra de um dos componentes. Ela acaba sendo bem mais cara que a preventiva porque além de substituir a peça danificada, o mecânico tem que substituir outro sistema que também possa ter quebrado;, explica Gerson Burin, coordenador técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária da Mapfre- Cesvi Brasil.


Mesmo com todas as manutenções em dia, pode acontecer de uma peça ou outra simplesmente parar de funcionar. É o que acontece com o universitário Cairo Oliveira, 22 anos, que roda bastante com seu Chevrolet Classic 2008 e leva o carro para fazer revisões preventivas praticamente todos os meses. ;Como ele já é de idade, às vezes tem que trocar algumas peças por conta do desgaste natural. O que me deu dor de cabeça de verdade foi a caixa de direção, que deu uma folga e precisou ser trocada. Não é um reparo muito barato e parece ser crônico, porque eu já vi outros dois Classics com o mesmo problema;, conta.


O rapaz, que é estudante de engenharia automotiva na Universidade de Brasília (UnB) reclama da quantidade de peças feitas de plástico. ;Eu estava mexendo no carro de um amigo, trocando algumas peças do sistema de arrefecimento, e fiquei assustado com o tanto de plástico que tem. São peças submetidas a grandes variações de temperatura e não me parece ser um material adequado para a durabilidade que esses componentes deveriam ter. Com o tempo, ele racha, estoura, resseca, e você tem que ficar trocando. Eu já tive problema com o tubo d;água, que faz parte do arrefecimento e também é feito de plástico. Ele estourou e, como o carro tava funcionando, a água vazou inteira. Se eu não tivesse percebido por causa da temperatura, a junta do cabeçote poderia superaquecer e queimar.;

Manutenção
O universitário Ulysses Soares, 21 anos, também costuma ter algumas dores de cabeça com o Volkswagen Polo 2006/2007. ;De seis em seis meses, mais ou menos, eu preciso trocar o anti-chama e a mangueira dele. Em tese, era uma peça que deveria durar, já que faz parte do motor, mas eu já levei para trocar umas oito vezes. O mecânico não soube explicar porque isso acontecia, disse que era um problema crônico dos modelos mais antigos da Volks. E deve ser mesmo, porque eu já tive um Gol 2008 com o mesmo problema;, lembra.


Nem sempre, o problema é exclusivamente de uma das peças ou sistemas do veículo. A maneira como o dono conduz, os anos de uso do carro e até mesmo a utilização de produtos certificados pode influenciar no bom funcionamento do automóvel. ;O que acontece, muitas vezes, principalmente em veículos mais velhos ou com mais de um dono, é o histórico não muito favorável. A falta de manutenção de alguns componentes, o uso de fluidos impróprios ; como água normal no lugar do líquido de arrefecimento, por exemplo ; a idade do motor e até mesmo a maneira como o motorista dirige e às vias pelas quais ele costuma rodar, interferem;, explica Gerson.

Garantia de 90 dias

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, a garantia legal para bens duráveis é de 90 dias a partir da retirada do produto ou finalização do serviço. Esse é o prazo que os motoristas têm para solicitar a troca de alguma peça defeituosa. ;A garantia dada pela montadora é complementar à garantia legal e cobre a troca de peças de acordo com o manual do proprietário e o termo de garantia. Peças e acessórios de desgaste natural, como as pastilhas de freio, não são incluídas nesta garantia;, explica Daniel Saraiva, especialista em direito do consumidor da Saraiva Felizola & Barros Advogados.


Vale ressaltar que os serviços devem ser obrigatoriamente realizados em uma das concessionárias autorizadas pela montadora. ;O consumidor perde a garantia dada pela fabricante se optar por realizar o reparo em outra oficina. Caso o motorista utilize o veículo em condições extremas, como competições esportivas, ou sem os cuidados normais de manutenção, ele também pode perder a garantia. Se o automóvel tem uma pane seca, ocasionada por falta de combustível, e em razão desse evento há dano em alguma peça, a garantia não cobriria a troca;, conclui.


Quando a servidora pública Priscila Batista, 24 anos, precisou arrumar o cambio e trocar a junta do cabeçote do seu Volkswagen Gol G5, ela optou por fazer o serviço em uma das autorizadas da montadora em Brasília. ;Levei o carro lá e eles disseram que cobria. Arrumaram o cambio e eu nunca mais deu problema. A junta já voltou a quebrar outras quatro vezes por conta de um vazamento no radiador. Nem o mecânico que eu levo para arrumar e nem a concessionária conseguiram descobrir como resolver esse contratempo;, conta.

SOS

Na garantia
Fiat Bali
(61) 3362-6200

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(61) 3403-9393

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(61) 3961-1000

Smaff Ford
(61) 3348-7000

Planeta Chevrolet
(61) 3362-2400

Fora da garantia
Centro Automotivo Serjão
(61) 3376-3132

Lorival Centro Automotivo
(61) 3039-1643

Mecânica Mundial
(61) 3541-1281

Centro Automotivo Araújo
(61) 3465-2450

Fáceis de arrumar

O CESVI BRASIL realiza, todos os anos, o Prêmio CAR Group, que reúne os modelos fabricados
tanto no Brasil quanto no exterior* que alcançaram as maiores pontuações no quesito custo e reparação.
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