MDS foca no Criança Feliz

MDS foca no Criança Feliz

» MÔNICA IZAGUIRRE Especial para o Correio
postado em 25/06/2017 00:00

;O ministro do Desenvolvimento Social é o Henrique Meirelles;. Com esta frase, o ministro da pasta, Osmar Terra, destaca a importância das políticas macroeconômicas, como a fiscal e a monetária, para combater a pobreza no Brasil. Tocadas pelo Ministério da Fazenda, de Meirelles, com ajuda do Banco Central, são elas que cuidam da estabilidade de preços e da confiança necessárias ao crescimento saudável da economia.


Crescimento econômico com inflação sob controle melhora a renda real das pessoas e a capacidade de investimento do governo em políticas setoriais, como as de Educação e de Saúde. Consequentemente, é fundamental para melhorar indicadores sociais. As políticas setoriais também têm seu papel e são muito relevantes para redução da pobreza, na visão do ministro Terra. Ele ainda concorda que, quando a economia estaciona ou há inflação alta, não fazem todo o efeito que poderiam fazer.


No âmbito do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), a grande aposta do atual governo para ajudar a romper a perpetuação da pobreza entre as famílias é o Criança Feliz. ;Esse não é só um programa com nome bonitinho. É algo realmente revolucionário, estruturante a longo prazo;, com poder para fazer efetiva diferença;, defende.


Em fase de implantação, o programa visa a promover o desenvolvimento humano a partir do apoio na primeira infância, oferecendo acompanhamento domiciliar ao desenvolvimento de crianças durante os primeiros mil dias de vida, cerca de três anos. Para tanto, agentes executores do programa estão sendo capacitados para fazer visitas semanais.


O principal público-alvo são as crianças do Bolsa Família, programa de assistência a pobres que proporciona complemento de renda a 13,28 milhões de famílias, segundo dados de junho de 2017.

Aprendizado

Tanto ou mais que monitorar o bem-estar físico, a preocupação do Criança Feliz é dar estímulos que melhorem a capacidade de aprendizado das crianças. O governo avalia que isso é fundamental para ajudar a quebrar o ciclo de perpetuação da pobreza entre gerações, pois melhora escolaridade e renda dos filhos em relação aos pais.


Segundo o ministro Osmar Terra, pesquisas científicas mostram que as competências de aprendizado não começam na escola, não começam na idade escolar. ;A capacidade de aprender mais ou aprender menos se estabelece logo nos primeiros mil dias de vida. E isso faz diferença no nível de escolaridade e de renda de uma geração para outra;, afirma.


;Até o fim de 2018, visitaremos 4 milhões de crianças toda a semana;, cerca de 3,5 milhões delas filhos de inscritos no Bolsa Família, informa Terra. Para cumprir a meta, o orçamento federal vai destinar ao Criança Feliz R$ 2 bilhões no ano que vem, ;quando o programa estará a todo o vapor;. Para 2017, o orçamento foi fixado em R$ 300 milhões.


O ministro conta que o objetivo do MDS é ter um visitador para cada 30 crianças do programa. Eles vão orientar mães e pais sobre cuidados e ainda sobre estímulos que afetem positivamente a capacidade de aprendizado de seus filhos. Também vão detectar que ações governamentais específicas são necessárias, providenciá-las junto aos órgãos e às entidades competentes ou orientar os pais a solicitá-las quando for o caso. Um exemplo é a vinculação da família a outros programas.


As ações serão intersetoriais, ou seja, poderão envolver vários ministérios e ainda governos municipais. De um total de 5.570 no país, 2.547 prefeituras já aderiram ao Criança Feliz, segundo o MDS.


;Se a casa da família estiver caindo, o visitador acionará a secretaria municipal de habitação. Se a criança ou a mãe estiver doente, acionará a equipe do programa Saúde da Família;, explica Terra. Serão observados, inclusive, problemas de saúde como depressão da mãe, algo considerado devastador para o desenvolvimento da criança. Os visitadores ;serão uma espécie de anjo da guarda;, na avaliação do ministro.

"Esse não é só um programa com nome bonitinho. É algo realmente revolucionário, estruturante a longo prazo;
Osmar Terra, ministro do Desenvolvimento Social

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