Novas recomendações para o diagnóstico precoce

Novas recomendações para o diagnóstico precoce

postado em 25/06/2017 00:00
De todos os tipos de câncer, o colorretal é o mais prevenível. Para isso, além de uma dieta rica em fibras e com moderação no consumo de carne vermelha e álcool, é preciso, a partir dos 50 anos, fazer exames que detectam lesões pré-oncológicas ou o tumor precoce, ainda em fase curável. Na semana passada, uma força-xxxtarefa de gastroenterologistas norte-americanos publicou em três revistas da área (Gastroenterology, The American Journal of Gastroenterology e GIE: Gastrointestinal Endoscopy) as recomendações mais recentes sobre os testes de detecção. No Brasil, as sociedades médicas da área seguem as diretrizes dos Estados Unidos.

O artigo confirma que, a partir dos 50 anos, o ideal é fazer dois exames preventivos: o teste imunoquímico fecal (FIT), também conhecido como sangue oculto, e a colonoscopia. Enquanto o primeiro é capaz de identificar o câncer inicial, o segundo identifica os pólipos, que são as lesões pré-oncológicas, assim como tumores malignos superficiais. Durante o exame, é possível, inclusive, fazer o tratamento, retirando os grupos de células doentes. Nas recomendações, os médicos dos EUA sugerem que negros façam os testes aos 45 anos, pois a incidência do câncer colorretal é maior entre os afro-americanos. O FIT deve ser repetido anualmente, e a colonoscopia, a cada 10 anos.
De acordo com Lix de Oliveira, presidente da Comissão de Prevenção de Câncer Colorretal da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), no Brasil, costuma-se pedir, primeiramente, o FIT, quando o paciente não tem sintomas. Caso apareçam traços de sangue sugestivos, recomenda-se a colonoscopia. ;O exame de sangue oculto é muito bom para detectar o câncer em uma fase precoce, curável, mas ele falha na detecção das lesões pré-oncológicas;, explica.

Adesão


O médico diz que, na rede privada, a tendência é já se pedir os dois testes de uma vez. No ano passado, foram realizados 1,1 milhão de colonoscopias pelos convênios de saúde, um número 50% maior do que o registrado em 2013. Contudo, na rede pública, essa é uma realidade mais distante, ressalta. ;Em Campinas, por exemplo, a rede fecha, em março, a marcação para o resto do ano. No Brasil, estamos brigando muito para fazer uma recomendação padronizada em todo o território, estabelecendo critérios viáveis;, diz.

Oliveira lembra que, embora a colonoscopia seja um exame mais sofisticado, ela tem um custo-benefício para os sistemas de saúde. Dados da Sobed mostram que, no Sul e Sudeste, o método diagnostica lesões pré-oncológicas em 40% a 50% da população de 50 anos. Desses pacientes, entre 4% e 6% dão positivo para o câncer, que, na maioria das vezes, pode ser tratado com o próprio exame. ;Isso evita um tratamento caro e longo, com quimioterapia.; O presidente da Sociedade de Gastroenterologia de São Paulo (SGSP), José Celso Ardengh, ressalta a importância de se fazer o escaneamento do tumor colorretal. ;É um câncer muito fácil de evitar. É lamentável que, pela falta do exame, se deixe de tratar um câncer ainda na fase precoce e superficial.; (PO)

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