Um rei sem herdeiros

Um rei sem herdeiros

Oito anos depois da sua morte, Michael Jackson continua forte na memória de fãs e nos números do mercado

Alexandre de Paula Especial para o Correio
postado em 25/06/2017 00:00
 (foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)





Pode até parecer que não faz tanto tempo, mas, há exatos oito anos, o mundo perdia Michael Jackson. A morte precoce em 2009, as polêmicas e as excentricidades nunca foram capazes de ofuscar o talento inegável e o carisma do astro norte-americano. Dos Jackson 5 à carreira solo, Michael produziu clássicos que influenciaram e mudaram o mundo do pop.

Seja para os fãs ou para o mercado, a obra de Michael continua bastante viva, inspirando e influenciando gerações, além de render ainda milhões de dólares. O álbum Thriller, de 1982, por exemplo, chegou, no início de 2017, à marca recorde de 33 milhões de cópias e se manteve como o disco mais vendido da história norte-americana.

Os números refletem a sensação de que, para os fãs, Michael jamais deixou de estar sobre a terra e que sua obra permanece com poder de surpreender e conquistar ainda mais aficionados. A impressão, para críticos e fãs, é de que, oito anos depois, ninguém foi capaz de assumir a coroa de rei do pop.

O auxiliar de cozinha Michael Luckas, 23 anos, é um dos que permanecem apaixonados pelo legado do músico norte-americano. Cover de Jackson nas horas vagas, ele conta que o interesse pela obra do cantor surgiu aos 8 anos. ;Vi um colega de classe fazer o famoso moonwalk no meio de uma quadra de futsal em Sobradinho. Aquilo me chamou a atenção e procurei saber de onde vinha aquela magia de passo. Foi quando ele me ensinou e me explicou quem era Michael Jackson;, lembra.

A partir daí, o interesse pelo rei do pop se tornou cada vez maior até se tornar, de fato, uma paixão. As ações sociais feitas por Jackson em vida também influenciaram Luckas. ;Muito do que sou hoje como pessoa foi influenciado por ele. Aprendi a compartilhar, a ajudar o próximo e a amar tudo que envolve a simplicidade do mundo;, acredita.

O dançarino Lucas da Gama, 19 anos, é outro que se inspirou no ídolo a ponto de querer representá-lo. Ele conta que conheceu a obra de Michael aos 10 anos, em 2008 (um ano antes da morte do ídolo), quando uma edição comemorativa de Thriller foi lançada. ;Um amigo me indicou e fui escutar o disco. Quando ouvi Billie Jean, fiquei impressionado e quis saber mais. Ao assistir ao clipe de Thriller, foi paixão à primeira vista;, lembra o morador da Asa Sul.

Lucas conta que a dor pela partida do ídolo foi um dos fatores que o motivaram a querer se tornar também cover de Jackson. ;Fiquei muito triste com a morte e, meses depois, vi um show antigo na tevê e sentia como se ele ainda estivesse aqui. Então pensei que precisava fazer alguma coisa para homenagear e manter a arte dele viva;, explica. As primeiras apresentações foram ainda aos 11 anos.

Filantropia
Foi a repercussão na mídia, quando o astro morreu, que fez com que a estudante Letícia Yonekura, 19 anos, se interessasse por Jackson. Como o assunto não saía da pauta da imprensa, ela, que mora em Vicente Pires, resolveu pesquisar mais. ;Por incrível que pareça, meu interesse inicial ; e o principal motivo pelo qual eu me tornei fã ; não foi pelo artista, e sim pela pessoa. A sociedade em geral tem em mente uma imagem extremamente distorcida de Michael como ser humano;, acredita.

Além da dança, a filantropia e as ações sociais do ídolo são inspiração para a estudante, que garante ter aprendido muito com a influência de Michael. ;Desde a paixão pela dança (quem nunca quis saber dançar aquelas coreografias, né?), o perfeccionismo em tudo que faz, a compaixão e solidariedade pelo próximo até a não acomodação, o esforço de sempre melhorar;, explica.

Sem substituto
Desde a morte de Michael, alguém ocupou o lugar de rei do pop? Para os fãs, a resposta é quase unânime de que ninguém conseguirá chegar ao mesmo patamar de Jackson na música e no mundo pop. ;Sempre surgirão novos artistas, muitos extremamente talentosos, mas é preciso muito mais que isso para usar essa coroa. Michael não era apenas um bom cantor que dançava bem, ele era um excepcional músico e dançarino e, além disso, revolucionou o ramo do entretenimento tão profundamente que suas influências reverberam fortemente até hoje!”, opina Letícia Yonekura.

Lucas da Gama concorda que é difícil acreditar que alguém poderá chegar a esse lugar. ;A forma como ele se entregava à arte, à dança era muito pessoal, ele é único. Ele tirava tudo dele próprio, seria muito difícil alguém conseguir alcançar esse posto;, acredita. Michael Luckas é o único que aponta alguém com potencial para ter a mesma dimensão de Jackson. ;Uma mulher (Beyoncé) é quem pra mim poderia ocupar esse lugar por ser criativa, inovadora... Ela dirige sua produção, cria suas coreografias, abusa das tecnologias. Ela tem a mente do Jackson no corpo de uma mulher;, constata.



Em 3D
O icônico clipe de Thriller, em que Michael dança entre zumbis, vai ganhar versão em 3D. A informação foi revelada pelo diretor original da produção, o cineasta John Landis. As gravações estão sendo restauradas e editadas novamente.A ideia de usar 3D era vontade do próprio Michael, contou uma fonte envolvida na produção ao jornal New York Daily News. Os filhos mais velhos do músico, Paris e Prince, estão, segundo as informações, diretamente envolvidos no projeto.



Na Justiça
Apesar das ações filantrópicas e do sucesso, a carreira de MJ ficou marcada também por uma série de polêmicas e denúncias envolvendo problemas judiciais. Ele foi denunciado algumas vezes por assédio, pedofilia e abuso sexual. Em 2003, foi preso e pagou fiança de US$ 3 milhões. Em 2005, no entanto, ele foi julgado e inocentado de todas as acusações (10, no total). Além disso, ao morrer, Jackson deixou uma dívida de US$ 400 milhões.



Você sabia?

Em 1987, ele apareceu de pele branca e nariz fino na capa de Bad. O vitiligo, doença que causa a perda da pigmentação da pele, sempre foi a justificativa dada pelo cantor

Uma das melhores amigas de Michael, a atriz Elizabeth Taylor foi quem o chamou de rei do pop pela primeira vez em uma premiação do American Music Awards em 1989

Em 1984, Michael se acidentou ao gravar um comercial da Pepsi e teve queimaduras no couro cabeludo. Ele recebeu US$ 1 milhão de indenização. Todo o dinheiro foi doado

As famosas luvas b

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