O alerta que vem do intestino

O alerta que vem do intestino

Nos últimos anos, têm crescido os casos de doenças inflamatórias intestinais crônicas. Maus hábitos alimentares estão entre as causas do problema, que afeta diretamente a qualidade de vida do paciente

Por Renata Rusky
postado em 25/06/2017 00:00
São Paulo ; Doenças crônicas, em geral, afetam muito a qualidade de vida do paciente. Algumas delas, infelizmente, estão cada vez mais espalhadas pela população, como é o caso das doenças inflamatórias intestinais (DIIS): sendo a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn as mais comuns. Segundo dados da Organização Pan-americana de Doenças de Crohn e Colite (Pancco), só na última década, a incidência dessas enfermidades aumentou de três a quatro vezes nos países da América Latina. Foi esse o tema do último Simpósio Multidisciplinar de Atualização em Doenças Inflamatórias Intestinais, realizado, em São Paulo, este mês.

No Brasil, segundo estudo publicado na revista científica Nature, em dezembro de 2016, houve um crescimento de 117% de incidência da doença de Crohn e 75% da colite ulcerativa, entre 1991 e 2000. O médico gastroenterologista especializado em DIIS e secretário-geral da Pancco, Flavio Steinwurz, conta que vê um caso novo por dia. ;Posso garantir que, de 2000 até hoje, não para de aumentar. São doenças que causam grande sofrimento e sobre as quais pouca gente conhece;, afirma. As duas são mais diagnosticadas por volta dos 20 aos 30 anos de idade, com sério impacto social, econômico e na qualidade de vida.

Adérson Omar Mourão Cintra Damião, gastroenterologista e professor do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, também garante que o aumento é real. ;A questão ambiental, a adoção de uma dieta mais ;ocidentalizada;, rica em gorduras animais e açúcar e pobre em fibras, além da onda diet, com intenso consumo de adoçantes. Tudo isso pode contribuir para deflagrar a doença em pessoas geneticamente vulneráveis;, exemplifica. São desvios alimentares que podem alterar sistemas de proteção do intestino e modificar a flora ou a microbiota intestinal.

A repórter viajou a convite da Farmacêutica AbbViee

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