O jogo silencioso do poder na PGR

O jogo silencioso do poder na PGR

Enquanto o Planalto corre para aprovar o nome de Raquel Dodge no Senado para servir de contraponto a Janot, o atual procurador-geral pretende sair do cargo, em setembro, com todos os acordos e processos apresentados ao Supremo

» NATÁLIA LAMBERT
postado em 30/06/2017 00:00


Avessa aos holofotes, a futura procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manteve mais isolada que de costume. Chegou cedo ao gabinete no 5; andar de um dos prédios da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, e, de lá só saiu para participar de uma reunião ainda pela manhã. O andar do edifício é o mesmo onde fica o atual ocupante do cargo, Rodrigo Janot, e, o aparato de segurança ; já rotineiro no local ; foi reforçado. Apesar de normalmente ser acessível à imprensa, ela recusou a enorme lista de pedidos de entrevista. De acordo com pessoas próximas, assim deve ser a postura de Raquel até ser nomeada definitivamente: dedicação ao trabalho e à família. Os filhos, que estavam nos Estados Unidos, chegaram na própria quarta-feira, dia em que foi indicada pelo presidente Michel Temer para o cargo.

A cerca de 2km do prédio da PGR, mais precisamente no Palácio do Planalto, a estratégia do governo de acelerar o processo de substituição do novo chefe do Ministério Público Federal (MPF) caminha a todo vapor. Em apenas três dias, a escolhida pelo presidente recebeu o apoio de 587 colegas na votação da lista tríplice, foi indicada e já tem até data prevista para ser aprovada pelo plenário do Senado: 12 de julho. A intenção é fazer com que Raquel se torne a nova procuradora-geral da República antes mesmo de o atual, Rodrigo Janot, sair da cadeira. Com isso, acredita-se que as iniciativas de Janot contra Temer podem ficar esvaziadas.

E, se depender dos senadores tanto da base aliada quanto da oposição, a estratégia está garantida. Poucas horas depois de o nome de Raquel sair no Diário Oficial da União, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o enviou para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que definiu relator e calendário. Nem bem recebeu a missão, o escolhido pelo presidente do colegiado, Edison Lobão (PMDB-MA), o senador Roberto Rocha (PSB-MA), já indicou parecer favorável ao nome de Raquel.

;Uma pessoa idônea, com 30 anos de MP, professora da UnB e de Harvard. Um currículo impecável. De modo que tanto ela quanto os outros dois estariam honrando o Ministério Público. Sem dúvida, foi uma grande escolha e vamos testemunhar isso na sabatina;, comentou. O relator não vê problemas no fato de Raquel não ter sido o primeiro nome da lista tríplice escolhida pelos procuradores. ;Não haverá dificuldade (para a aprovação). O presidente tem a prerrogativa de escolher qualquer um dos três ou até nenhum deles.; O caminho está trilhado. O relatório de Rocha será lido na próxima quarta-feira (leia mais na página 3) e, antes mesmo de o recesso parlamentar começar, em 18 de julho, a burocracia para Raquel Dodge ser a nova PGR já estará superada.

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