Rio prende PMs amigos do tráfico

Rio prende PMs amigos do tráfico

Maiza Santos*
postado em 30/06/2017 00:00
A maior operação contra corrupção policial no Rio de Janeiro, deflagrada ontem pela Polícia Civil e o Ministério Público, cumpriu mandados de prisão preventiva contra 96 policiais militares e 71 traficantes, além de busca e apreensão em todo o estado. Na operação batizada de Calabar, os PMs são acusados de receber dinheiro de traficantes para não combater o crime em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Eles faturavam até R$ 1 milhão por mês. Foram presos 62 PMs e 22 criminosos até o início da noite de ontem.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e de São Gonçalo, Fábio Barucke, contou que a operação descobriu os envolvidos através da quebra de sigilo de conversas telefônicas. ;Apreendemos celulares e extraímos deles números utilizados por maus policiais. Os telefonemas tinham como finalidade angariar parte dos recursos que eram levantados pelos traficantes. Os policiais recebiam pagamentos que chegavam a R$ 1 milhão por mês. Em troca, permitiam o tráfico de drogas livremente nas comunidades.;

A investigação começou em 2016, após a prisão de um homem flagrado com dinheiro do tráfico de São Gonçalo. Ele entregaria o suborno a PMs como propina. Por meio de delação premiada, ele colaborou com as investigações que revelaram as relações criminosas entre policiais e traficantes. Interceptações telefônicas autorizadas pela justiça confirmaram as denúncias. O promotor Sérgio Lopes, do MP do Rio de Janeiro, comemorou a união das instituições e classificou o trabalho da DH e da PM como primordial. ;A corrupção é da pessoa e não da instituição e nós temos que combater com todas as forças.;

Entre os denunciados estão integrantes de pelo menos sete grupos da PM fluminense. O secretário de segurança do Rio de Janeiro, Roberto Sá, ressaltou o empenho da polícia em punir os culpados. ;Quero deixar registrado que é um dia difícil, mas necessário. Nenhuma das instituições à mesa aceitam desvios de conduta. Desconheço instituições que cortem tanto na carne quanto as polícias. Vamos continuar trabalhando integrados;, disse.

O comandante-geral da PM-RJ, coronel Wolney Dias, chamou os policiais acusados de traidores. ;A PM não compactua com qualquer tipo de desvio de conduta. Entendo que o policial que trai o seu dever de ofício trai a sociedade que jurou defender.;

*Estagiária sob supervisão do editor Marcelo Agner

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