Encontros tensos no G20

Encontros tensos no G20

postado em 30/06/2017 00:00
 (foto: John Macdougall/AFP)
(foto: John Macdougall/AFP)


Uma agenda diplomática paralela, intensa e potencialmente áspera aguarda Donald Trump na semana que vem, em Hamburgo, onde o presidente americano participará da cúpula do G20. A decisão de retirar os Estados Unidos do Tratado de Paris sobre o aquecimento global estará entre os temas do encontro e será um dos principais da reunião bilateral que manterá com anfitriã, a chanceler (chefe de governo) da Alemanha, Angela Merkel ; uma das principais defensoras do acordo. Trump terá também o primeiro encontro cara a cara com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pivô do escândalo em torno da interferência do Kremlin na eleição presidencial do ano passado nos EUA ; justamente para favorecer a candidatura do atual presidente.

O conselheiro da Casa Branca para Segurança Nacional, H. R. McMaster, antecipou que ;desenvolver uma aproximação com Moscou; é um dos objetivos do presidente à margem da cúpula de Hamburgo. ;Ele gostaria que os EUA e os todos os líderes do Ocidente mantivessem uma relação mais construtiva com a Rússia;, disse o conselheiro. McMaster substituiu Michael Flynn, um dos principais nomes nas investigações do FBI (polícia federal) sobre a ;conexão russa;. Flynn omitiu do governo os contatos que teve reservadamente com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, durante a campanha eleitoral e na transição de governo.

Clima

Na Alemanha, Trump encontrará uma atmosfera carregada de críticas à sua decisão de denunciar o acordo sobre as mudanças climáticas, como demonstraram grupos ambientalistas que se manifestaram ontem em Berlim. Falando ao Bundestag (parlamento federal) sobre a cúpula da semana que vem, a chanceler Angela Merkel cobrou a ;responsabilidade; dos líderes do G20 para com o planeta e criticou ;aqueles que acreditam que podem resolver os problemas do mundo pela vida do protecionismo e do isolacionismo; ; uma referência velada ao presidente dos EUA.

A anfitriã deixou claro, porém, que abordará o tema na reunião bilateral com o colega. ;Nosso desacordo (sobre o clima) é bem conhecido e não seria honesto escondê-lo;, afirmou. ;Em todo caso, eu não vou fazê-lo.;

Também Trump reiterou sua posição sobre o Acordo de Paris, fechado em 2015 e assinado por Barack Obama, enquanto presidente dos EUA. Em discurso sobre o setor energético, o novo titular da Casa Branca se disse ;muito orgulhoso; por ter retirado o país do tratado, que fixa metas para a redução do uso de combustíveis fósseis. ;Muitas pessoas me dizem: ;Obrigado, você salvou a nossa soberania;;, declarou, justificando a decisão como uma medida para ;defender os trabalhadores e as empresas americanas;.

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