Iraque anuncia o "fim do califado"

Iraque anuncia o "fim do califado"

postado em 30/06/2017 00:00
 (foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)
(foto: Ahmad Al-Rubaye/AFP)


O primeiro-ministro do Iraque, Haider Al-Abadi, utilizou o próprio perfil no Twitter para anunciar: ;Nós estamos vendo o fim do falso Estado do Daesh, a liberação de Mossul prova isso;. ;Não cederemos, nossas bravas forças trarão a vitória;, prometeu. Pouco antes, as tropas de seu país tinham reconquistado a emblemática Mesquita Al-Nuri, onde diante da qual o líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakri Al-Baghdadi, fez sua única aparição pública e proclamou seu ;califado; em julho de 2014. Para os EUA, a libertação total de Mossul deve ocorrer em questão de dias. ;Não posso traçar um cronograma para isso, mas percebo que a reconquista está mais próxima de dias do que de uma semana ou semanas;, assegurou Ryan Dillon, porta-voz da coalizão internacional liderada por Washington.

O anúncio da tomada da mesquita foi feito pelo Exército iraquiano, segundo o qual ;as forças de contraterrorismo assumiram o controle da Mesquita Al-Nuri;. Por sua vez, a emissora estatal Iraqiya declarou ;a queda do Estado fictício; ; um trocadilho com o nome dado pelo EI ao ;Estado do califado;, autoproclamado no Iraque e na Síria. Na semana passada, explosões provocadas pelos jihadistas destruíram o famoso minarete conhecido como ;Hadba;. O monumento inclinado, cuja construção foi consolidada em 1172, é a figura impressa nas cédulas de 10 mil dinars iraquianos. Os extremistas haviam hasteado sua bandeira no topo, a 45m de altura. O premiê iraquiano classificou a destruição do local como uma ;declaração oficial de derrota; por parte do EI, no momento em que as tropas iraquianas avançavam na Cidade Antiga de Mossul, último reduto dos jihadistas.

Os terroristas ainda controlam uma pequena parte da Cidade Antiga, mas as ruas estreitas e a presença de muitos civis fazem o avanço das forças iraquianas extremamente complicado, enquanto os combatentes do EI resistem fortemente. Três anos depois da tomada de Mossul, o paradeiro de Al-Baghdadi segue desconhecido, enquanto que o grupo formado por ele perdeu a maior parte dos territórios que ocupava, como resultado da ofensiva lançada em junho de 2014.

Um estudo do escritório de análise IHS Markit, divulgado ontem, sustenta que o EI perdeu, em três anos, 60% do território que tinha conquistado, além de 80% de suas receitas. O território do ;califado; passou de 90 mil quilômetros quadrados, em janeiro de 2015, para 36.200 quilômetros quadrados no início deste mês, de acordo com a empresa sediada em Londres.


Cerco a Raqqa se consolida
Desde ontem, os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) estão bloqueados em Raqqa, considerada a capital do autoproclamado califado islâmico. O último acesso à cidade foi fechado pela aliança árabe curda formada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS) e pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. Segundo Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), os combatentes assumiram o controle de uma região ao sul do Rio Eufrates, cortando a última estrada que o EI poderia utilizar para fugir de Raqqa. Cerca de 2.500 extremistas combatem na cidade, onde 100 mil civis temem por seu destino.

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