De volta para o futuro

De volta para o futuro

Último campeão do mundo utilizando sistema tático com três zagueiros, Brasil vê a moda retrô virar tendência para Copa da Rússia. Alemanha, Argentina, Inglaterra e Itália ensaiam formato para 2018

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 30/06/2017 00:00
 (foto: 
AP Photo/Thomas Kienzle

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(foto: AP Photo/Thomas Kienzle )





Em vez de enxergar jogos com os olhos de Vanderlei Luxemburgo ; para quem não há nada novo no futebol ;, siga o conselho do saudoso Telê Santana. O mestre dizia que partidas aparentemente inexpressivas sempre permitem boas descobertas. Portanto, não ignore amistosos e a Copa das Confederações, por exemplo. Uma moda retrô usada pelo Brasil na conquista do pentacampeonato mundial, em 2002, na vitória por 2 x 0 sobre a Alemanha, é uma tendência que está reconquistando grandes seleções a menos de um ano da Copa de 2018.

Em 30 de junho de 2002, Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Kleberson, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos; Rivaldo e Ronaldo brindavam o Brasil com o quinto título mundial. A Seleção era configurada por Luiz Felipe Scolari em um sistema tático com três zagueiros ; o 3-5-2. O Correio teve acesso a dois rascunhos táticos feitos à mão por Felipão para Jairo dos Santos, seu observador técnico na Copa de 2002 (ler arte). O sistema, que fracassou com Sebastião Lazaroni na Copa de 1990, mas foi vitorioso na prancheta do patriarca da família Scolari, tinha variáveis para o 3-3-3-1 e o 3-4-2-1.

;A vantagem maior de jogar com três zagueiros naquela Seleção era a segurança da defesa, cobertura mais sólida com a minha adaptação ao Edmilson e ao Roque Júnior. Isso deu confiança para a equipe. A outra vantagem é que o Roberto Carlos e o Cafu tinham mais liberdade para subir ao ataque. A gente sabia da qualidade e da força deles. Deu certo. Nós tivemos a melhor defesa, sofremos apenas quatro gols e vencemos todos os sete jogos;, lembra o zagueiro Lúcio em entrevista ao Correio. O brasiliense era um dos titulares de Felipão.

Quinze anos depois, o 3-5-2, inspira seleções candidatas ao título na Rússia, em 2018. Com a bola, é 3-5-2. Sem ela, vira 5-4-1, como se fosse uma sanfona. Atual campeã do mundo e finalista da Copa das Confederações contra o Chile, a Alemanha, de Joachim L;w, está se reinventando. Nas quartas de final da Euro-2016, os germânicos enfrentaram a Itália no 3-5-2, com H;wedes, Boateng e Hummels formando a trinca de beques. Na Copa das Confederações, Joachim L;w usou o 3-5-2 contra a Austrália, o 3-4-2-1 diante do Chile e de Camarões, e o 3-4-3 contra o México. Kimmich, Ginter e Rüdiger são as três torres.

Protótipos
Tite está na Rússia acompanhando in loco as semifinais. Ele percebeu a mudança. ;Me parece que a Alemanha joga com três zagueiros, três defensores centrais. Isso também serve de aprendizado para mim;, comentou em entrevista ao SporTV. O próprio Tite testou uma formação alternativa na goleada sobre a Austrália, com os zagueiros Thiago Silva, Rodrigo Caio e David Luiz.

Fiel ao tradicional 4-4-2, a Inglaterra é outra campeã mundial que tem ensaiado o sistema com três zagueiros. Na derrota por 3 x 2 para a França, no último dia 13, Stones, Cahill e Jones formaram a defesa no esquema 3-4-2-1 do técnico Gareth Southgate. A Itália, de Giampiero Ventura, alterna defesa com linhas de quatro e de três defensores. Neste ano, perdeu para a Holanda no 3-5-2 e goleou o Uruguai no 4-4-2.

Na Argentina, a era Jorge Sampaoli começou com três zagueiros nas vitórias sobre o Brasil (1 x 0) e Singapura
(6 x 0). Nicolás Otamendi, Jonathan Maidana e Gabriel Mercado foram os escolhidos nos sistema tático 3-4-2-1. O formato lembra bastante o Brasil pentacampeão em 2002. Goméz, Biglia, Banega e Di María formavam o meio de campo e o ataque tinha Messi e Dybala, responsáveis por abastecer o centroavante Higuaín.

"A vantagem de jogar com três zagueiros era a segurança da defesa. Sofremos quatro gols e vencemos os sete jogos"
Lúcio, zagueiro pentacampeão


"A Alemanha joga com três zagueiros, três defensores centrais. Isso também serve de aprendizado para mim"
Tite, técnico da Seleção Brasileira



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