Opção militar em debate

Opção militar em debate

Washington trabalha nas Nações Unidas para impor nova rodada de sanções, mas adverte que poderá usar a força contra ameaça nuclear

postado em 06/07/2017 00:00
 (foto: KCNA/AFP
)
(foto: KCNA/AFP )


Com apoio já expresso pela França, mas sob reservas da China e da Rússia, os Estados Unidos costuram a apresentação, no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, de um projeto de resolução impondo mais uma rodada de sanções à Coreia do Norte. A iniciativa é uma das respostas que Washington estuda para o lançamento experimental de um míssil balístico intercontinental (ICBM, em inglês) norte-coreano, com alcance para atingir o estado americano do Alasca ; possivelmente com uma ogiva nuclear. A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, advertiu, porém, que o país está disposto a se defender de uma ameaça inclusive com o recurso às ;consideráveis forças militares;, hipótese prontamente rejeitada por Pequim e Moscou.

;Nos próximos dias, apresentaremos uma resolução que aumenta a resposta internacional de forma proporcional;, disse Haley durante uma reunião de urgência do CS, a portas fechadas. ;O lançamento de um ICBM é uma clara e forte escalada militar;, argumentou. ;Os EUA estão prontos para se defenderem e aos nossos aliados. Uma das nossas capacidades reside nas consideráveis forças militares, e as usaremos, se tivermos de usar. Mas preferimos não ir nessa direção.;

A embaixadora americana invocou, como recurso imediato para confrontar o regime comunista, o potencial comercial dos EUA. Desde o primeiro teste de um artefato nuclear norte-coreano, em 2006, a ONU já impôs seis rodadas de sanções econômicas a Pyongyang, mas não impediu a repetição das experiências nucleares e com mísseis ; em ambos os casos, proibidas pelo CS. As duas últimas séries de represálias, aprovadas no ano passado, restringem fortemente as exportações de carvão, uma das principais fontes de divisas para a Coreia do Norte, e determinam inspeções obrigatórias em qualquer carregamento destinado ao país.

A França, uma das cinco potências com vaga permanente no CS e poder de veto ; ao lado de EUA, Reino Unido, Rússia e China ;, anunciou em princípio o apoio à nova rodada de sanções defendida por Washington. A ideia, porém, esbarra em resistências da Rússia, expressas pelo embaixador Vladimir Safronkov. ;Todos devem reconhecer que as sanções não resolverão o problema;, argumentou o diplomata, que foi categórico na rejeição ao uso da força, inclusive com amparo em uma resolução da ONU. ;Nós simplesmente nos apressamos em direção a um impasse. Qualquer tentativa de justificar uma solução militar é inadmissível.;

Também a China deixou explícita sua oposição a uma solução militar. ;Sempre nos opusemos ao caos e ao conflito na Península Coreana;, disse o embaixador Liu Jieyi. ;Militarizar (a crise) não pode ser uma opção neste momento.;

G20

O impasse com a Coreia do Norte deverá ser um dos temas centrais dos chefes de Estado e de governo do G20, que se reúnem amanhã e depois em Hamburgo, na Alemanha. O presidente dos EUA, Donald Trump, discutirá as diferenças de abordagem durante encontros paralelos que manterá com os colegas da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin. A caminho da cúpula, durante escala na Polônia, Trump deu a entender que espera maior pressão sobre o regime norte-coreano, por parte da China, praticamente o último aliado de peso e parceiro comercial que restaram ao líder comunista Kim Jong-un.

Escala na Ucrânia
Depois de participar da cúpula do G20, na Alemanha, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, seguirá no domingo para a Ucrânia, outro ponto de atrito entre os governos de Washington e de Moscou. Desde que a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia, em 2014, os Estados Unidos adotaram sanções econômicas e diplomáticas ; também como resposta ao apoio militar dado pelo Kremlin a separatistas pró-russos que controlam porções de território na fronteira comum. De acordo com o Departamento de Estado, Tillerson se reunirá com o presidente Petro Poroshenko e renovará o compromisso do governo Donald Trump com ;a defesa da soberania e da integridade territorial; da Ucrânia. A guerra civil na ex-república soviética, contida por um cessar-fogo negociado com mediação russa e europeia, estará sobre a mesa na reunião que Trump terá em Hamburgo com o colega Vladimir Putin, a primeira entre os dois presidentes.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação