Contaminação compromete o lago

Contaminação compromete o lago

Morte de peixes no Rio Paranoá e relatório do MP que aponta presença de bactérias próximo ao Deck Sul alertam para preservação da fonte de água que abastecerá, dentro de dois meses, parte da população do DF

» DEBORAH FORTUNA ESPECIAL PARA O CORREIO » PATRÍCIA NADIR* * Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer
postado em 06/07/2017 00:00
 (foto: Deborah Fortuna/CB/D.A Press)
(foto: Deborah Fortuna/CB/D.A Press)

Dois meses antes do início da captação de água do Lago Paranoá para abastecimento de parte da população do Distrito Federal, problemas ambientais acendem o alerta sobre a preservação do espelho d;água. No fim de semana, milhares de peixes morreram no Núcleo Rural Boqueirão e, ontem, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) anunciou a abertura de ação civil pública contra os órgãos responsáveis pela construção do Parque Deck Sul, inaugurado em maio. Entre as irregularidades apontadas pelo M, está a presença acentuada da bactéria a Vibrio cholerae, causadora da cólera. No ano passado, o trecho entre a Ponte das Garças e a Honestino Guimarães ficou mais de um mês interditado para banhistas e pescadores devido à presença em excesso de cianobactérias.

Próximo às chácaras atingidas pelo mais recente problema, o mau cheiro é o primeiro indício da situação precária às margens do Rio Paranoá, no Boqueirão. Muitos peixes mortos continuam por lá. O caseiro de uma das propriedades da região Lindomar de Oliveira, 43 anos, disse que ficou surpreso quando viu a destruição da fauna local. ;Quando o rio baixou, os peixes ficaram por cima (da margem). Então ficou aquela camada toda cheia de peixe;, contou. Como o rio é grande, muitas pessoas iam até ali para tomar banho e aproveitavam para pescar. ;Agora, a gente não pode nem pescar para comer mais;, lamentou.

A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) explicou que investiga as causas da tragédia ambiental em parceria com outros órgãos públicos. Há a suspeita de que o motivo seja o despejamento de esgoto não tratado na região, uma vez que, próximo ao local, há uma estação de tratamento da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). Caso seja comprovada a irregularidade, a companhia será multada.

Já no recém-inaugurado Parque dos Pioneiros Cláudio Sant;Anna ; Deck Sul, além da água contaminada, também há o problema de erosão e de descumprimento de licenças ambientais. De acordo com o promotor de Justiça do Meio Ambiente Roberto Carlos Batista, a obra coloca em risco a segurança da população. Para ele, da forma como foi implantado, o lugar tende a aumentar os problemas de assoreamento. ;Antes de entrar com a ação, o MP mandou um aviso pedindo que a Novacap cumprisse as normas ambientais exigidas nas licenças. O local começou a funcionar sem terminar o licenciamento e o MP foi surpreendido com a inauguração;, afirmou.

Um dos desafios é que o Deck Sul fica próximo à Estação de Tratamento de Esgotos de Brasília Sul (ETE Sul) e da Usina de Lixo do Serviço de Limpeza Urbana. Em nota, a Novacap disse que executou a obra de acordo com a legislação vigente e que foram plantados 70 mil m; de grama para evitar a erosão. Além disso, substituiu os eucaliptos por 680 mudas de árvore. Ainda segundo a companhia, o ;local sempre foi considerado impróprio para o banho e, após a obra, a empresa instalou placas de orientação para que a população não entre na água;. A defesa deve ser entregue em 15 dias.

Perto do acesso ao deck, é possível ver a placa sobre os perigos do banho e da pesca no lugar. Mesmo assim, o Correio flagrou dois pescadores jogando redes de pesca na água. Quanto aos banhistas, ninguém se arriscou. Nem mesmo o publicitário Philipe Bastos, 26 anos, que ainda não sabia da ação do MPDFT. ;Mesmo antes do Deck, eu sempre soube que essa área era imprópria para o banho;, comentou Philipe.

Apesar dos problemas, a Caesb explicou que o local onde ocorrerá a captação de água do lago será no Lago Norte, e garante que o recurso hídrico na região é de ótima qualidade. O sistema captará 700 litros por segundo, utilizados para auxiliar na demanda das cidades abastecidas pelo Sistema Santa Maria/Torto.




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