Passeio virtual

Passeio virtual

Nahima Maciel
postado em 06/07/2017 00:00
 (foto: Ananda Borges/camara.leg.br. Brasil)
(foto: Ananda Borges/camara.leg.br. Brasil)

O acervo de obras de arte da Câmara dos Deputados e parte das dependências do prédio projetado por Oscar Niemeyer dividem agora o mesmo espaço na rede mundial de computadores que o Museu do Louvre, em Paris, o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, e a Tate Modern, de Londres. Desde ontem, um lote de 221 obras da instituição passaram a integrar a exposição Câmara dos Deputados no Google Arts, plataforma que reúne mais de seis milhões de documentos de instituições do mundo inteiro.

Acessível no link https:/www.google.com/culturalinstitute/beta/partner/camara-dos-deputados-brasil, a exposição traz imagens de obras pertencentes ao Museu da Câmara, incluindo duas peças importantes: a pintura Tiradentes ante o carrasco (1951), de Rafael Falco, que hoje está na sala da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e Candangos, o enorme painel de 9 metros de comprimento pintado por Di Cavalcanti para o Salão Verde e inaugurado em 1960, junto com o prédio. Outras pinturas do acervo, assinadas por artistas como Glênio Bianchetti, Ivan Serpa e Aldemir Martins, também foram digitalizadas, assim como imagens de dezenas de objetos, mobiliário e peças históricas.

Além da exposição, os visitantes da página Câmara dos Deputados no Google Arts podem também passear pelo prédio. Com ajuda de um carrinho equipado com a mesma tecnologia utilizada para o Street View, os principais salões foram registrados em milhares de pequenas imagens para que o internauta tenha a sensação de caminhar pelo local. Além do plenário, é possível passear virtualmente pelo lobby de entrada, pelo Salão Verde, no qual estão os painéis de Marianne Peretti e Athos Bulcão, e pelas salas de espera, com direito sempre a observar detalhes do ambiente aumentados em zoom graças ao registro em alta definição.

Em Brasília, a Câmara é a segunda instituição a entrar para o Google Arts, que já tem uma página com a digitalização em alta resolução de todas as obras da Fundação Athos Bulcão. No total, 46 instituições brasileiras já estão na plataforma. ;A Câmara tem um acervo muito vasto e ainda não estão todas no projeto. Eles fizeram uma seleção das obras mais impactantes e significativas. Eles têm um material muito interessante e que, talvez, nem todo mundo conheça;, diz Alessandro Germano, diretor de parcerias estratégicas do Google para a América Latina.

Boa parte do material já estava digitalizado, mas o Google ajudou a colocar em alta definição pelo menos 50 peças do acervo, incluindo as pinturas de Di Cavalcanti e Rafael Falco, para que os visitantes pudessem ter acesso aos detalhes das obras. ;Basicamente, o que fazemos é pegar o que eles já têm digitalizado e ajudar a organizar, a fazer os metadados;, explica Germano. ;Temos uma tecnologia que permite a digitalização profunda com fotos de cada pedaço da obra. No fim, um software junta tudo. Isso permite detalhes até difíceis de ver ao vivo.; Além das visitas virtuais, os internautas que tiverem acesso a alguma tecnologia de realidade virtual podem utilizá-la, já que a plataforma também foi planejada para experiências virtuais.

Em um primeiro passo, o Museu da Câmara idealizou seis exposições, entre elas Memória massacre Carandiru, Povos indígenas no Brasil e Antes de Brasília: Palácio Tiradentes, esta última com itens que estavam na antiga sede da Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro, entre 1926 e a transferência para o Planalto Central. A ideia é montar outras mostras virtuais e digitalizar a totalidade do acervo, que conta hoje com 1,7 mil peças. ;Esse projeto é uma chance de universalizar e aumentar o acesso das pessoas a esses conteúdos. É interessante ter um canal de comunicação com a sociedade que mostre esse patrimônio;, diz Gisele Azevedo Rodrigues, da secretaria de Comunicação Social da Câmara.

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