Brasília-DF

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por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 14/07/2017 00:00


O pós-CCJ

A contagem mais realista do governo ontem sobre a votação da denúncia contra Michel Temer no plenário da Câmara indicava 262 votos a favor do presidente, 170 para que ele seja investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suspeita de corrupção passiva e 80 indecisos. Com esse placar e a necessidade de fechar 342 votos para que o pleito seja considerado válido, o governo passará os próximos 20 dias convencendo seu pessoal a colocar a cara na tevê em favor de Temer, da mesma forma que os 40 fizeram na Comissão de Constituição e Justiça. Afinal, enquanto mantiver esse apoio, ainda que os indecisos resolvam comparecer para votar, o presidente continuará com a maioria.

Com a votação prevista para 2 de agosto, cristaliza-se na base do governo a ideia de esperar até um pouco mais para votar todas as denúncias contra Temer numa única sessão. Falta combinar com o Planalto, que não vê a hora de se livrar dessa tarja de ;investigação sobre corrupção passiva;.


Climão tucano
A indicação de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), aliado de Aécio Neves, para apresentar o relatório favorável a Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça causou desconforto à ala tucana favorável à autorização para que o presidente seja processado. O próprio líder do partido foi surpreendido. A fratura da legenda está exposta. Desdobramentos virão.

Climão mineiro
Entre integrantes do PSDB, houve a desconfiança de que o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, escolheu Abi-Ackel para deixar uma marca no mandato do tucano, que, assim como Pacheco, é considerado um dos nomes com estrada no partido para concorrer ao governo estadual.

O que eles pensam
Aberto o placar ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, os petistas comentavam em suas conversas mais reservadas que se a ex-presidente Dilma Rousseff tivesse um pouquinho de talento para a política não teria perdido o mandato. O raciocínio é o de que, se Michel Temer, com todos os problemas, teve essa maioria na CCJ, Dilma poderia ter feito o mesmo. Temer não
é Dilma, e Eliseu Padilha não é
Aloizio Mercadante.

Sem rua, não rola

A diferença que os petistas apontam é também a de mobilização popular: no governo da presidente Dilma, havia gente na rua, pedindo o impeachment. Agora, as mobilizações não têm sido tão expressivas.

Palmas/ No quarto andar do Planalto, houve aplausos e comemorações na hora em que o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, Rodrigo Pacheco, anunciou o placar da votação. O clima lá é que, quem pulou a primeira fogueira,
pulará as demais.


Sintomas/ No fim do governo Dilma Rousseff (foto), era comum os funcionários correrem para recolher cadeiras vazias nas solenidades. O presidente Michel Temer não chegou a esse ponto. Ontem, aliás, na cerimônia de sanção da reforma trabalhista, os servidores tiveram de providenciar duas cadeiras a mais na linha de frente para parlamentares que chegaram atrasados.

#ficaadica/ Em meio ao seu discurso, na sanção da reforma trabalhista, Temer saiu-se com esta: ;Aqui, eu encontro palmas que vêm do coração;. A galera aplaudiu na hora.

E o Lula, hein?/ A entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi vista como uma declaração de guerra ao Judiciário por parte dos petistas. Também haverá desdobramentos aí.

No mais../ O país repleto de problemas, o Poder Judiciário em recesso, o Legislativo, quase. Sobrará o Executivo, lutando pela sobrevivência.

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