Brasil é letal para ecologistas

Brasil é letal para ecologistas

postado em 14/07/2017 00:00
O Brasil é o lugar mais perigoso para os defensores do meio ambiente. A informação consta do relatório da Global Witness, divulgado ontem. De acordo com o documento, o país responde por 25% do total de ecologistas assassinados no mundo em 2016.

Pelo menos 200 ativistas ambientais, um número recorde, foram mortos no planeta no ano passado, 60% deles na América Latina, segundo o relatório. O balanço ; o dobro do registrado dois anos antes ; exibe o número mais elevado desde que a organização começou a fazer esse tipo de levantamento, em 2002.

Esse é o reflexo de uma onda de violência em que ;empresas mineradoras, madeireiras, hidrelétricas e agrícolas passam por cima das pessoas e do meio ambiente em sua busca por lucro;, lamenta a organização.

Em 2016, os assassinatos de ativistas ambientais também se espalharam geograficamente, atingindo 24 países, contra 16 em 2015.

Brasil, Colômbia e Filipinas são responsáveis por mais da metade das mortes, seguidos por Índia, Honduras, Nicarágua, República Democrática do Congo e Bangladesh. ;A luta implacável pela riqueza natural da Amazônia torna o Brasil, de novo, o país mais letal do mundo;, com 49 assassinatos num ano, alerta o relatório.

De acordo com a ONG, 60% dos homicídios ocorreram em países da América Latina, e 40% das vítimas eram membros de grupos indígenas.

Um terço dos 100 assassinatos que foi atribuído a setores industriais específicos estava vinculado a operações de mineração e petróleo. As mortes vinculadas a empresas madeireiras aumentaram de 15 a 23 num ano, e foram registrados 23 homicídios relacionados com projetos do agronegócio.

A corrupção e o abuso de autoridade também levam, às vezes, os representantes da lei a agirem contra os ativistas do seu próprio país em vez de protegê-los, segundo a Global Witness. A consequência é que policiais e soldados foram identificados como suspeitos em ao menos 43 assassinatos em 2016.

;Migalha; da Noruega
O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, descreveu como ;migalha; a ajuda de US$ 1 bilhão dada pela Noruega para o Brasil nos esforços de combate ao desmatamento no país. Há duas semanas, por causa do avanço do desmatamento na Amazônia, a Noruega anunciou, durante visita do presidente Temer, que vai cortar a contribuição ao país em 2017. ;Ninguém tem o direito de criticar o Brasil no que se refere ao meio ambiente. A Embrapa mostra que o país tem 61% do território de matas nativas;, disse. Ele classificou o anúncio do corte como ;muito deselegante; e disparou: ;Será que precisamos mesmo desse apoio? Gastamos muito mais que essa migalha que eles nos oferecem;.

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