Por trás da porta fechada

Por trás da porta fechada

PAULO DE TARSO LYRA paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 14/07/2017 00:00
Era 2001,final do governo Fernando Henrique Cardoso. A oposição montou, no gramado em frente ao Congresso Nacional, um mural com a foto dos parlamentares acusados de corrupção. Eu, repórter, acompanhava a colocação das fotos quando ouvi uma voz me indagando: ;ficou bom, não ficou?;. Com uma camisa pólo clara, o maior nome da oposição, Lula, admirava o trabalho feito pelo PT.

Em 2010,último aniversário de Lula como presidente da República, os jornalistas souberam que os servidores prepararam uma festa de despedida para o presidente. Invadimos o terceiro andar e, quando fomos descobertos, tentamos despistar os assessores, alegando que só queríamos dar os parabéns.

Deixaram a gente entrar, sem microfones ou gravadores.Lula tirou fotos individuais. Na minha vez, brincou: ;quero trabalhar no seu jornal para comprar uma gravata assim.;

Acompanhei os oito anos do governo Lula. Estava lá quando ele levou os catadores de papel para o Palácio do Planalto, deixando-os com os olhos brilhando diante da suntuosidade da sede do Poder Federal. Denunciei, junto com os colegas Hugo Marques e Sérgio Pardellas, que o governo do PT pagava mesada aos deputados, fato que gerou o processo do mensalão no STF.

Lula foi condenado a 9 anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro. O homem que incluiu 30 milhões de brasileiros, mas não mudou o sistema político nacional, beneficiando-se dele, não está sendo condenado pelo que fez em público. Mas pelo que negociou a portas fechadas.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação