Uma trégua no escândalo

Uma trégua no escândalo

Em visita à França, Trump tira do foco a %u201Cconexão russa%u201D. Mas volta a defender o filho mais velho, que deve ser convocado pelo Senado

postado em 14/07/2017 00:00
 (foto: Saul Loeb/AFP
)
(foto: Saul Loeb/AFP )

Convidado de honra do colega Emmanuel Macron para as cerimônias de hoje pelo 14 de Julho ; o Dia Nacional da França, que marca a Queda da Bastilha e a instauração da república ;, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou a visita a Paris para tomar distância das últimas revelações sobre a ;conexão russa; na eleição de 2016. Mas não perdeu a chance de sair uma vez mais em defesa do filho mais velho, que admitiu ter se reunido com uma advogada ligada ao Kremlin, um ano atrás, para receber documentos que incriminariam a candidata democrata Hillary Clinton, derrotada nas urnas, em novembro. Ontem, a comissão do Senado que investiga o caso acenou com a convocação de Trump Jr. para prestar depoimento.

;No que concerne ao meu filho, ele é um jovem maravilhoso;, disse Trump durante a entrevista coletiva conjunta, ao lado de Macron, no Palácio do Eliseu. ;Ele aceitou se reunir com uma advogada russa ; não uma advogada do governo, mas uma advogada russa;, ressaltou.;Foi uma reunião curta. Do ponto de vista prático, penso que a maioria das pessoas teria aceitado essa reunião;, completou. ;É o que se chama de pesquisar sobre o oponente.;

Forçado a admitir o encontro de junho de 2016, exposto no fim de semana por uma reportagem do jornal The New York Times, Trump Jr. divulgou na terça-feira os e-mails que trocou na ocasião com o empresário britânico Rob Goldstone, amigo da família, que propôs a reunião com a advogada Natalia Veselnitskaya. Neles, Goldstone afirma que a oferta seria ;parte do apoio da Rússia; ao então candidato republicano.

Durante a coletiva e ao longo da agenda de ontem, visitante e anfitrião desfilaram uma proximidade pessoal que contrasta fortemente com as divergências expostas no fim de semana, na Itália, durante a reunião de cúpula do G20. Trump referiu-se a Macron, eleito com sólida maioria, em maio, e vitorioso novamente nas legislativas de junho, como ;um grande presidente; que ;comandará bem este país;. Ambos destacaram a ;amizade inquebrantável; entre França e EUA, embora Macron não tenha feito segredo sobre a ;discordância pública; com o visitante sobre o aquecimento global ; Trump retirou o país do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas (leia ao lado).

Na véspera, o anfitrião havia alertado sobre o impacto da eleição de Donald Trump para a ordem mundial construída no pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em particular para a aliança entre Washington e a Europa Ocidental. ;O mundo ocidental vive uma fissura (política) desde as eleições americanas (de 2016);, disse à imprensa francesa.

;Boa química;

As divergências, porém, não afetaram o clima descontraído entre os dois presidentes, que participaram de solenidade no Palácio dos Inválidos, construído no século 17 para receber feridos de guerra, e visitaram o túmulo de Napoleão Bonaparte. A primeira-dama francesa, Brigitte Macron, acompanhou Melania Trump em um passeio por pontos turísticos da cidade, como a Catedral de Notre-Dame. Mais tarde, os dois casais jantaram no premiado restaurante Jules Verne, no alto da Torre Eiffel. ;Costumamos receber bem as pessoas que convidamos;, comentou um porta-voz do Eliseu.

A ofensiva do presidente francês para estabelecer uma relação pessoal mais próxima com o colega americano inclui a presença de Trump no desfile do Dia da Bastilha, na condição de convidado de honra. ;Os dois têm muitas coisas em comum na forma de verem o mundo;, comentou, para a agência de notícias France-Presse, um alto funcionário dos EUA. ;Existe uma boa química entre os dois.; Na mesma linha, uma fonte do governo francês elogiou a ;relação extremamente aberta; que se estabeleceu ; ;franca, mas também construtiva;.

Suspense
no clima
A retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas esteve na agenda das discussões mantidas em Paris entre os presidentes Emmanuel Macron e Donald Trump, que acenou com a possibilidade de reconsiderar a decisão anunciada em 1; de junho. ;Algo poderia acontecer a respeito (do tratado);, disse o visitante durante a entrevista coletiva conjunta. ;Mas falaremos sobre isso mais adiante;, emendou, para em seguida criar suspense: ;Se acontecer, será maravilhoso. E se não acontecer será bom também.;

Na campanha vitoriosa pela Casa Branca, em 2016, o hoje presidente dos EUA prometeu que romperia com o acordo, assinado por Barack Obama no fim de 2015. O texto impõe aos países signatários compromissos com a redução do uso de combustíveis fósseis. O então candidato republicano justificou a posição em nome de reativar a indústria americana do carvão e retomar a prospecção e a extração de petróleo em áreas vetadas por Obama.

;Respeito a decisão do presidente Trump;, comentou Macron, em sua resposta. ;Da minha parte, porém, sigo apegado ao Acordo de Paris. Minha vontade é dar continuidade a ele.;

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