A boa notícia pode vir do Copom

A boa notícia pode vir do Copom

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 24/07/2017 00:00
Após o desgaste criado com a alta de impostos sobre combustíveis, o governo de Michel Temer está em busca de uma boa notícia para apaziguar os ânimos exaltados de empresários e consumidores. Esse afago deve ser dado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que reduzirá os juros em um ponto percentual, para 9,25% ao ano, em reunião marcada para amanhã e quarta-feira. A sinalização positiva ocorrerá a uma semana da votação na Câmara dos Deputados que pode autorizar o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o presidente por corrupção passiva.


Quem acompanha com lupa os movimentos da autoridade monetária, entretanto, está mais interessado nas sinalizações que equipe de Ilan Goldfajn emitirá em comunicado que será divulgado logo após a decisão. Investidores e analistas querem saber se o ritmo e o tamanho do ciclo de cortes será afetado pela crise política, pela alta de impostos e pelas sinalizações de que outros tributos podem ser revisados para cumprir a meta fiscal.


No mercado, a maioria dos economistas estima que a taxa básica de juros (Selic) terminará o ciclo de cortes entre 7% e 8%. Na opinião do economista-chefe do Banco Haitong, Jankiel Santos, o processo de redução da Selic terminará em 8% ao ano. Anteriormente, ele projetava o fim do processo de afrouxamento monetário em 9%. Esta estimava mudou, segundo Santos, diante da inflação declinante, da fraqueza da atividade econômica e das expectativas-âncoras. ;No entanto, avaliamos que o BC deve abster-se de testar níveis mais baixos de juros para minimizar a chance de ser forçado a reverter o processo como já foi no passado;, diz.


Os dados recentes mostram um ambiente de inflação baixa e expectativas ancoradas, com atividade apresentando sinais ambíguos, sugerindo retomada ainda gradual, mas cada vez mais abrangente, explica o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita. Conforme ele, embora as incertezas políticas pudessem ter efeitos ambíguos sobre a inflação, os últimos dados sugerem que o impacto tem sido, até o momento, predominantemente desinflacionário.

Cortes
Mesquita espera que a autoridade monetária indique, em comunicado após o encontro, que a extensão do ciclo monetário e o ritmo de flexibilização dependerão das projeções e expectativas de inflação, da evolução dos dados de atividade econômica e de fatores de risco, como o agravamento da crise política. Ele revisou a projeção para a Selic no fim de ciclo para 7%, nível que espera ser atingido no primeiro trimestre de 2018. ;Nosso cenário contempla, além do movimento de julho, reduções de 0,75 ponto percentual em setembro, de 0,50 em outubro e em dezembro, levando a taxa Selic para 7,5% no fim de 2017. E movimentos mais parcimoniosos no início do próximo ano de dois cortes de 0,25 ponto percentual, que levariam a taxa para 7,0%;, explica.
Para o economista-chefe do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker, embora sejam necessárias reformas para a sustentabilidade de taxas de juros mais baixas, a fraqueza da atividade econômica deve continuar a suportar o processo de queda de juros.

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