Polícia do Rio de Janeiro pede socorro

Polícia do Rio de Janeiro pede socorro

Só neste ano, 91 policiais militares foram assassinados. Governo estadual conta com a ajuda da Força Nacional para controlar a situação

HAMILTON FERRARI BERNARDO BITTAR Especiais para o CORREIO
postado em 24/07/2017 00:00
 (foto: Mauro Pimentel/APF)
(foto: Mauro Pimentel/APF)

Além de enfrentar problemas financeiros com a falta de pagamento para servidores públicos, o Rio de Janeiro vive um cenário de caos na segurança pública. Em menos de oito meses deste ano, 91 policiais militares foram assassinados. O número é maior que o do ano de 2016 todo, quando 78 morreram. O último homicídio aconteceu na madrugada de ontem, quando o sargento Hudson Silva de Araújo foi morto durante um tiroteio no local. Ele fazia parte do grupo que patrulhava a Favela do Vidigal quando foi surpreendido pelos criminosos. Araújo chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos causados pelos disparos.
O Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o Batalhão de Ações com Cães da Polícia Militar fizeram uma operação durante a tarde de ontem na favela do Vidigal, na zona sul. A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) investiga o assassinato. Na tentativa de prender os criminosos, a Polícia Militar do Rio de Janeiro postou um cartaz nas redes sociais em que oferece recompensa de R$ 5 mil para quem der informações sobre o crime por meio do Disque-Denúncia.


Dos 91 PMs mortos no Estado, 21 trabalhavam no momento dos ataques, 53 estavam de folga e 17, aposentados. Na manhã de ontem, mais de 300 pessoas se reuniram na Praia de Copacabana, na Zona Sul, em protesto pelos assassinatos. A Marcha Nacional pela Vida dos Policiais Militares começou às 10h. Amigos, parentes e apoiadores levaram cruzes com os nomes dos agentes mortos e fincaram na areia.
Para reforçar a segurança, o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), anunciou, na semana passada, uma parceria com o governo federal para receber mais 800 agentes da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Rodoviária Federal nos próximos dias. Já há, no Rio de Janeiro, 200 oficiais da Força cedidos por 18 meses para operações conjuntas com as forças locais de segurança.

Reforço
Segundo o ex-secretário Nacional de Segurança Pública coronel José Vicente da Silva, o custo dos homens da Força Nacional no Rio de Janeiro é de R$ 5,2 milhões por mês. ;Eu vi nos relatórios oficiais que o valor é esse. Durante o período total em que eles vão permanecer no Rio, a conta vai aumentar muito. É necessário, portanto, um aporte do governo federal. Caso contrário, a situação deve sair do controle.; Na última semana, o coordenador da Força Nacional, João Goulart dos Santos, pediu R$ 120 milhões ao governo para cobrir os gastos da corporação. A verba, segundo ele, é necessária para evitar a paralisação das atividades e a dispensa de 1.550 homens.


Um cálculo feito pela polícia carioca mostra que, a cada 100 mil policiais, 200 morrem anualmente no Rio de Janeiro. Proporcionalmente, a média nacional de civis mortos é de 26 a cada 100 mil. ;Ou seja, isso é prova de que a polícia não consegue sequer proteger o próprio contingente, quanto mais a comunidade;, declara o coronel José Vicente. O efetivo de policiais no Rio de Janeiro é 30% maior que o de São Paulo, que não vive crise tão acentuada quanto a capital fluminense. ;Quando a polícia perde a mão, a recuperação é extremamente lenta. Avalio que pode demorar de 2 a 5 anos para que o Rio volte a colocar a corporação nos eixos. Além do mais, existe o problema da motivação, dilacerada com o corte dos salários e dos atrasos no pagamento;, acrescenta José Vicente.

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