Cidade sitiada

Cidade sitiada

Exército participa de operação conjunta com as polícias estaduais para conter o roubo de cargas e diminuir o poder e os recursos do crime organizado. Nove suspeitos foram presos e dois, mortos

MARLLA SABINO ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 06/08/2017 00:00
 (foto: Apu Gomes/AFP
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(foto: Apu Gomes/AFP )




Imerso no caos e na insegurança, o Rio de Janeiro passou o dia ontem cercado por forças de segurança. Durante a megaoperação Onerat, contra o roubo de cargas. Nove acusados foram presos, dois suspeitos mortos e três pistolas apreendidas. Um policial militar também morreu, mas por causa de um acidente de trânsito durante a ação. Quase cinco mil homens das forças armadas federais e estaduais ocuparam seis favelas.

A ação marca a segunda fase da Operação O Rio quer Segurança e Paz, com atuação do Comando Militar do Leste, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional no estado, com apoio das polícias Civil e Militar. ;Mesmo com toda a dificuldade que o estado está enfrentando, as polícias dedicaram todos os esforços e encontraram diversos responsáveis pelo crime de roubo de cargas;, destacou o secretário de Segurança, Roberto Sá, durante entrevista coletiva. Policiais e militares atuaram nos complexos do Lins e Camarista Meier e no morro de São João, no Engenho Novo, na zona Norte, além do morro da Covanca, em Jacarepaguá, na zona Oeste. Ruas foram interditadas e as tropas ficaram em postos estratégicos. O espaço aéreo foi restrito para aeronaves civis.

Dos 40 mandados de prisão expedidos pela Justiça, quinze foram cumpridos, mas apenas seis resultaram em detenções. Outros nove eram contra pessoas que já estão na cadeia. Houve ainda três presos em flagrante. Apesar dos números baixos, o secretário de segurança descartou a possibilidade de vazamento de informações. ;Nossos objetivos de mandados de prisão e busca estão sendo cumpridos respeitando e sem colocar em risco a segurança dos moradores;, afirmou.

Também na cidade, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, afirmou que a operação provoca um ;sufoco logístico e financeiro; ao crime organizado e reafirmou o compromisso do governo federal em apoiar o povo do Rio de Janeiro. ;A operação em conjunto produz resultados como acabar com o mito do crime organizado poderoso. Ele não resiste a ação legal quando se une os esforços de todos os entes nacionais;, destacou. ;Os resultados são maiores do que números. É a ideia de que há ação presente do estado;, complementou.

Tiroteios

Apesar da presença das Forças Armadas no Rio, a violência continua na cidade. Até ontem, 73 tiroteios foram registrados, de acordo com o aplicativo colaborativo Onde Tem Tiroteio. Ontem, os hospitais estaduais receberam 10 baleados, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde. Durante troca de tiros com policiais no Morro São João, Jefferson Abilio da Silva Cavalcante, 19 anos, foi baleado no braço direito e no tórax. O jovem chegou a ser levado para o Hospital Salgado Filho, mas não resistiu. Ele já havia sido preso por roubo de cargas em julho de 2016 e foi solto em março deste ano. Outro homem também teria morrido durante confronto com policiais.

Na avaliação de Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a quantidade de homens da Força Armadas nas ruas não traz resultados concretos e pode ter efeitos colaterais perigosos. ;Se há investimento em inteligência para a operação, não é necessário mobilizar tanto recursos humanos. De fato, o Rio vive um momento de colapso de políticas públicas, mas não vale investir tanto dinheiro para resolver o problema por uma semana. É necessário que haja integração de outros sistemas e do Poder Judiciário nas ações;, afirmou.

Na última sexta-feira, o corpo de uma menina de seis anos foi encontrado dentro de uma mala, em um córrego na Zona Norte e criminosos assaltaram um caminhão dos Correios. Na quinta-feira, um policial militar que estava de folga foi baleado em assalto a uma agência bancária e outro agente foi morto a tiros em São Gonçalo. Somente neste ano, 92 policiais militares morreram no Rio.




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