Saída para as universidades

Saída para as universidades

postado em 06/08/2017 00:00

A história se repete com monótona regularidade.Trata-se da crescente penúria das universidades públicas. Figurando entre as melhores do Brasil, únicas a ter vez em rankings internacionais, as instituições de ensino bancadas pelo Estado empobrecem ano após ano ; material e intelectualmente. Os repasses de recursos decrescem e obrigam o corte de serviços essenciais.
Em comparação com 2016, as escolas superiores perderam 11,2% no montante previsto para 2017: de R$ 8 bilhões para R$ 7 bilhões. O corte foi além. Contingenciamento implicou bloqueio de 30% da verba de custeio e de 60% da de investimento. Com isso, o dinheiro disponível para manutenção seria suficiente para cobrir os gastos até setembro não fosse o socorro de R$ 347,7 milhões liberados na quinta-feira pelo Ministério da Educação.


Imaginem-se salas às escuras, câmpus sem iluminação, pesquisas perdidas, bibliotecas às moscas, laboratórios fechados, banheiros sujos, corredores e salas de aula sem cuidados. A segurança, precária nas áreas externas de muitas instituições, constituiria problema maior. Assaltos, estupros, roubos de carros ; ocorrências rotineiras hoje ; se agravariam. Não só. A receita menor levou ao aperto de cintos. Uma das medidas foi o corte de terceirizados. Em junho, a UnB, por exemplo, dispensou 175 trabalhadores.


Associações de professores lançaram o movimento Conhecimento sem Cortes, que acompanha as tesouradas no orçamento das instituições federais. Segundo o grupo, de 2015 até hoje, as universidades, as pós-graduações e o Ministério de Ciência e Tecnologia perderam 50% dos recursos, consequência do corte efetuado na Esplanada. A penúria cobra preço alto. Expulsa cérebros. Afugenta a inovação. Escorraça talentos e conhecimentos.


A questão que se impõe é esta: depois da PEC do Teto, a perspectiva de melhora é remota. Não há previsão de mais investimentos. O orçamento de 2017, menor que o de 2016, será corrigido pela inflação. Nada de recuperar as perdas acumuladas ao logo dos anos. Assim, 2018 acena com dias sombrios. Não só a graduação, mas a pesquisa, os laboratórios, os mestrados e doutorados estão com a espada de Dâmocles sobre a cabeça.


Se a luz no fim do túnel se encontra distante, há que buscar saídas para fazer frente às urgências das instituições. Questão frequentemente lembrada é a gratuidade. Vale voltar a ela. Estudantes com possibilidade de pagar os estudos devem fazê-lo. A declaração do Imposto de Renda servirá de base para provar quem deve ou não deve arcar com o dispêndio. É provável que quem desembolsou recursos para manter-se em boas escolas fundamentais e médias também o faça para cursar o ensino superior. É justo.

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