ONU aprova sanções contra Pyongyang

ONU aprova sanções contra Pyongyang

Em reação aos recentes testes com mísseis balísticos, o Conselho de Segurança veta, com apoio da China, a exportação norte-coreana de carvão, ferro e chumbo

postado em 06/08/2017 00:00
 (foto:  Kim Won-Jin/AFP

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(foto: Kim Won-Jin/AFP )


Em decisão unânime, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou ontem novas sanções contra a Coreia do Norte, propostas na véspera pelos Estados Unidos em um projeto de resolução. As medidas incluem uma proibição das exportações de carvão, ferro, chumbo e produtos do mar, que poderão privar Pyongyang de US$ 1 bilhão (em torno de R$ 3,13 bilhões) em receitas anuais, o equivalente a um terço de suas divisas externas. São as primeiras punições de forte repercussão impostas à Coreia do Norte desde que o presidente americano, Donald Trump, assumiu, e que põem em destaque o desejo da China de punir seu aliado.


A nova proposta de sanções vem sendo negociada por Washington, sobretudo com os chineses, principal parceiro comercial de Pyongyang, desde 4 de julho, quando o regime de Kim Jong-un lançou um míssil balístico intercontinental. Um segundo lançamento, 24 dias depois, aumentou os alarmes sobre a campanha norte-coreana para desenvolver um míssil que possa alcançar o território americano. A pressão para se adotar medidas punitivas aumentou quando Kim afirmou que toda a área continental dos Estados Unidos estava a seu alcance.


O projeto aprovado ontem também proíbe Pyongyang de enviar trabalhadores a outros países e qualquer nova associação de empresas e investidores nas atuais companhias binacionais. Essa é a sétima série de sanções imposta à Coreia do Norte desde 2006, quando o país realizou seu primeiro teste nuclear.

Fórum
E os americanos prometem novas ofensivas contra Pyongyang. A diplomacia do governo de Donald Trump quer aproveitar o fórum da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean, na sigla em inglês), que começa hoje em Manila (Filipinas), para criar uma frente unida de pressão à Coreia do Norte. O encontro deve reunir 26 ministros de Exteriores, inclusive os dos Estados Unidos, da Rússia e da China. O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, deve se reunir à margem do fórum com seu equivalente russo, Serguei Lavrov, pela primeira vez após Washington adotar novas sanções contra Moscou.


Ao desembarcar na capital filipina, a nova ministra de Relações Exteriores sul-coreana, Kang Kyung-Wha, acenou para o diálogo, afirmando que está disposta a se reunir com seu equivalente norte-coreano, Ri Hong-Yo. ;Se há uma oportunidade diante de nós, devemos falar;, declarou a chanceler, segundo a agência sul-coreana Yonhap.


Antes da abertura do fórum anual dos chanceleres da Asean, o Vietnã pediu a seus sócios para endurecerem o tom contra o expansionismo chinês no Mar da China Meridional e criticou, num encontro informal na sexta-feira, os esforços das Filipinas para evitar um conflito com Pequim, segundo fontes diplomáticas.


Na cúpula realizada no fim de abril, também em Manila, a Asean evitou criticar Pequim e mencionar a decisão do Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia, que afirmou que as pretensões da China sobre este mar são ilegais. A China empreendeu uma política considerada muito agressiva de colonização da região, com projetos de construção de ilhas artificiais no mar que considera seu território nacional, em detrimento de quatro membros da Asean (Brunei, Malásia, Filipinas e Vietnã), assim como de Taiwan.

R$ 3,13 Bilhões
Prejuízo anual que o regime de Kim Jong-un terá devido às novas punições

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