Bolt tem despedida bronzeada

Bolt tem despedida bronzeada

A lenda jamaicana diz adeus às provas individuais com o terceiro lugar nos 100m. Gatlin venceu

postado em 06/08/2017 00:00
 (foto: Adrian Dennis/AFP
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(foto: Adrian Dennis/AFP )




O anticlímax total, a despedida que ninguém queria ver de um dos maiores ídolos do esporte atual. E o resultado disso foi uma vaia sonora ao norte-americano Justin Gatlin no Estádio Olímpico de Londres, na final dos 100m masculino, durante o Campeonato Mundial de Atletismo. O adeus do jamaicano Usain Bolt das provas individuais não saiu como o imaginado para os bilhões de fãs dele em todo o mundo. O Raio acabou em terceiro lugar, com o tempo de 9s95, atrás do também norte-americano Christian Coleman (9s94), dono da prata, e do dourado Gatlin (9s92). Bolt ainda corre no próximo sábado a final do revezamento 4x100m.

;Fico triste por não ter conseguido terminar com uma vitória, mas agradeço a vocês pelo apoio;, declarou Bolt, aplaudido de pé, como se tivesse ficado com o ouro. Fez a pose tão conhecida, comemorou com o público, carregou as bandeiras jamaicana e britânica. Homenagens a alguém que ficou durante 10 anos no topo da prova mais rápida, mais midiática, mais importante do atletismo. O homem que tem o recorde mundial nos 100m ; 9s58 ; e é oito vezes campeão mundial e olímpico não merecia menos.

O bad boy Justin Gatlin ainda tentou fazer uma espécie de mea-culpa: assim que a prova terminou, ajoelhou-se diante de Bolt. Não foi o suficiente para o velocista de 35 anos ; suspenso por quatro anos da carreira por doping ; deixar de levar a vaia. O norte-americano, campeão do mundo em 2004 e em 2005 nos 100m, já havia derrotado o jamaicano por um centésimo no Meeting de Roma, em 2013. Assim, era o único que poderia estragar a festa da despedida, como o fez. Diante da homenagem de Gatlin, Bolt não duvidou: abraçou o adversário e comemorou com ele.

Até a última prova na distância em sua carreira, Bolt, de 30 anos, nunca havia sido derrotado em um grande campeonato desde sua primeira aparição, nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. De fato, o Raio havia perdido o título de campeão do mundo dos 100m em Daegu, na Coreia do Sul, mas sem correr, já que havia sido eliminado por queimar a largada na final.

Reclamação
Bolt não havia brilhado antes da final em Londres, tanto que nas semifinais ele foi derrotado por Coleman, no seu primeiro revés em quatro anos. E, como na sexta-feira ele havia reclamado do bloco de partida utilizado em Londres, havia alguma dúvida sobre se o jamaicano, sempre favorito nas provas em que participa, asseguraria mais uma vitória, agora em uma prova tão emblemática, por representar alguns dos últimos passos da sua carreira. Como sempre, ele largou mal, mas, desta vez, não conseguiu a recuperação que se tornou sua marca.

Dono de 11 ouros e duas pratas em Mundiais ; e agora um bronze ;, Bolt ainda tem mais uma chance de deixar Londres, o Mundial e a sua carreira com uma vitória. Afinal, ele vai compor a equipe do revezamento 4x100 metros da Jamaica, quando vai, de fato, deixar o atletismo, na final que está agendada para o próximo sábado. A dúvida que ficará agora é quem vai superar os feitos de Bolt. O astro é o recordista mundial dos 100m, com incríveis 9s58, e dos 200m, com 19s19, ambos conquistados no Mundial de Berlim, em 2009. O jamaicano também conquistou na pista nove medalhas de ouro olímpicas, mas uma delas ; do revezamento 4x100 metros em Pequim-2008 ; foi cassada devido ao doping de seu compatriota Nesta Carter.




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