No papel de pãe

No papel de pãe

postado em 06/08/2017 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
O Dia dos Pais tem um significado especial para o servidor público Messias Salatiel Ramos, 49 anos. É nessa data que ele recebe das filhas as homenagens especiais por ter sido pai solo e nunca ter permitido que as filhas se sentissem menos amadas pela ausência da mãe. Há 12 anos, após a morte da esposa, Messias passou a ser pãe ; pai e mãe ; das irmãs Débora Ramos, 19, e Laís Marques, 22.

As meninas tinham 7 e 11 anos, respectivamente, quando Messias precisou olhar as filhas no fundo dos olhos e contar que Kelly, mãe das crianças, não estava mais entre eles. O momento difícil culminou em muitas lágrimas e abraços. Foi a partir daquele dia que souberam que a formação familiar seria alterada, mas que a união entre eles e o cuidado e dedicação do pai estariam sempre presentes.

;Criamos um amor construído no cotidiano e baseado na confiança de que estaremos unidos em todos os momentos;, afirma Débora, que foi aprendendo, no dia a dia, a lidar com a nova configuração familiar. Para a estudante, um dos principais aprendizados foi perceber que o pai se esforçava muito para que elas seguissem sempre o melhor caminho, mantendo a cabeça erguida, independentemente de qualquer situação.

As aulas de Débora começaram um mês após a perda da mãe e, todos os dias, quando o pai a deixava na porta da sala, ela chorava e o abraçava. ;Muito atencioso e paciente, ele me levava até o pátio da escola e ficava abraçado comigo até eu conseguir parar de chorar;, recorda-se.

Messias se esforçava para suprir a ausência da figura materna na vida das filhas. Atividades que na sociedade costumam recair sobre as mulheres se tornaram as maiores prioridades do servidor público. Pentear os cabelos das meninas, preparar os lanches do colégio, participar de todas as apresentações escolares, tanto as do Dia dos Pais quanto as do Dia das Mães, frequentar reuniões, costurar uniformes rasgados, passar noites em claro quando as filhas estavam doentes e disciplinar quando necessário. Messias assumiu a criação integral das filhas. O resultado foi a formação de um vínculo ainda mais forte após a dor da perda.

Para Messias, tão importante quanto os aspectos práticos da vida, era necessário preparar as filhas para o mundo, levando a sério o desenvolvimento moral e intelectual das duas. O lazer não foi esquecido e as meninas ressaltam o quanto tiveram uma infância rica de experiências. O pai as levava para fazer compras no shopping, dormir na casa de amigas e para a chácara do avô, entre uma série de outras atividades típicas dos brasilienses, como passear no Parque da Cidade e viajar para Caldas Novas. ;Nós nos divertíamos muito, principalmente por ter a companhia de primos das nossas idades;, ressaltou Laís.

Cerca de 11 meses depois da morte da mãe das garotas, Messias se casou novamente. A madrasta passou a morar com a família e assim vivem até hoje. A maior parte dos parentes ficou ainda mais próxima de Débora e Laís para tentar suprir a carência que a falta da mãe acabava causando. ;É claro que nós sentimos saudade da nossa mãe, porém, o apoio da família ao nosso redor sempre foi maravilhoso e nos ajudou muito nesse sentido;, conta Laís.

Um dos maiores orgulhos de Messias foi a educação que deu às filhas. Uma estuda direito e a outra, enfermagem. O pai sempre comenta com os amigos sobre a trajetória de Débora e Laís. ;Papai sempre diz que nos deu o melhor presente: a educação, que é a ferramenta para se desenvolver da melhor maneira no mundo;, destacam.

Outra grande herança que o pai vai deixar para as filhas é a demonstração constante do amor e dos sentimentos. Ele não passa um dia sem abraçar as jovens, dizer que elas são a razão da sua vida e que o fazem uma pessoa melhor. O ;eu te amo; também é uma tradição diária. A família não deixa de ressaltar o aprendizado constante entre eles. ;Aprendemos muito com ele e vice-versa. Uma das características mais marcantes do nosso pãe é ser protetor, e isso nos faz sentir sempre seguras;, enfatiza Laís. ;Agradeço por ter um pãe que me ensinou que minha capacidade é superior aos meus limites, que o amor-próprio vem em primeiro lugar e que ler é a melhor coisa do mundo;, diz Débora.

De: Débora Ramos e Laís Marques
Para: Messias Salatiel Ramos,

Eu e Laís temos muito a agradecer por todo amor, paciência, renúncia, carinho e afeto recebidos durante todos esses anos e os que virão. Compreendemos que nem sempre é fácil ser uma família unida, cada um possui suas particularidades e problemáticas. Sendo assim, todo dia que nasce se apresenta cheio de desafios, mas, na maioria das vezes, escolhemos enfrentá-los juntos e da melhor forma possível, auxiliando um ao outro da maneira que podemos.

Você sempre procura acalmar nossas angústias, secar as lágrimas, diminuir as dores e nos dar a certeza de que o próximo dia será melhor. Pai, você nos deu a vida e segue nos nutrindo com sua sabedoria e seu amor. Como um Sol em nossa família, você traz luz e alegria a todos. Você nos aquece com palavras, chás e sopas deliciosas. Saiba que o amamos por ser nosso maior entusiasta, por acreditar em nós, mesmo quando falhamos, por vibrar a cada conquista, mesmo que pequena, e por essa reciprocidade que se manifesta no olhar. Que nossa família nunca pare de buscar a harmonia, a concórdia e a união todos os dias.

Feliz dia dos pais!

Assista ao VÍDEO com a entrevista de Messias Salatiel Ramos no tablet e no site do Correio




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