Handebol joga pelo futuro

Handebol joga pelo futuro

Dois clubes do DF conseguiram vagas para a Liga Nacional, mas precisam de parcerias para que não tirem dinheiro do bolso

PEDRO HENRIQUE GOMES*
postado em 09/08/2017 00:00
 (foto: Facebook/Reprodução

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(foto: Facebook/Reprodução )




Quando uma pessoa ganha pouco no emprego, ela diz que está ;pagando para trabalhar;. Mas existem atletas que passam por essa situação ; e não é uma figura de linguagem. Ocorre, por exemplo, com dois times brasilienses de handebol: Mega Alfa, no masculino, e AAA UnB, no feminino. Os dois se sagraram campeões da Conferência Centro-Oeste da Liga Nacional, mas têm receio de não conseguir participar da fase final do campeonato, ainda neste segundo semestre. O orçamento da maioria das equipes que disputam a Liga Nacional gira entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por ano, enquanto os candangos contam com pouca ajuda e gastaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para disputar a primeira etapa da conferência. A maior parte disso tirada do próprio bolso.

;Para as competições universitárias, temos uma ajuda de custo. É para alimentação, e só. Ainda não sabemos onde será a próxima fase, mas, com certeza, terá deslocamento e vamos gastar com isso. Agora, temos que procurar uma parceira para ajudar nessa disputa;, comenta Marcelo Marques, técnico da UnB, que derrotou o Força Atlética, de Goiás, por 26 x 22 na final da Conferência Centro-Oeste.

O Mega Alfa, campeão em cima do goiano Rio Verde, por 25 x 23, tem a ajuda do Clube da Saúde para contar com a estrutura para treinamento. A faculdade Upis também colaborou, cedendo atletas para a disputa. ;Ainda não tenho ideia de quanto precisaremos. Mas o patrocinador precisa entender que nada vem de uma hora para outra;, explica Geovane Farias, treinador do Mega.

Os integrantes do Mega Alfa foram responsáveis pelas despesas com transporte, comida, estadia. Outro clube, o KFH/Alfah/Aruc, levou um time masculino e outro feminino: cada atleta desembolsou cerca de R$ 650 para jogar a conferência, com gastos em hotel e alimentação, por cinco dias, mais o combustível utilizado na viagem até Anápolis (GO), onde o campeonato foi realizado. ;É triste ver os atletas tirando dinheiro do próprio bolso para disputar uma competição de nível nacional. Fica uma situação difícil para o clube também, porque eu não posso cobrar muito deles, já que eu não posso pagar;, afirma Artur Dourado, treinador do KFH/Alfah/Aruc.

Diferenças
Os gastos das cinco equipes de Brasília que disputaram a fase regional da Liga ; três femininos e dois masculinos ; variaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para cada uma, segundo informações do presidente da Federação de Handebol do DF, Gilberto Cardoso. Para efeito de comparação, o Taubaté, atual campeão da Liga Nacional, conta com um orçamento que chega a R$ 2 milhões. ;Hoje, nós temos clubes com uma verba muito pequena que não conseguem avançar porque não têm como custear um investimento maior;, opina Washington Nunes, técnico da Seleção Brasileira de handebol.

A falta de apoio no profissional contrasta com o bom trabalho que vem sendo feito na base, segundo os treinadores. ;Se não tiver um lugar onde o atleta da base possa chegar ao adulto, ele vai sair daqui. Isso é uma preocupação muito grande. E não estamos falando exclusivamente daqui ou dali: é no país inteiro;, alerta Nunes. O novo formato da Liga Nacional, que divide os clubes em conferências regionais, é o início de um processo para resgatar os clubes profissionais e oferecer mais oportunidades aos jovens atletas em seus próprios estados.

Os brasilienses agora esperam o resultado das demais conferências para conhecer os adversários na fase principal da Liga Nacional, que será disputada em dois grupos. As datas e locais dos jogos ainda não foram definidos ; devem ocorrer entre outubro e novembro.

* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles


;Hoje, nós temos clubes com uma verba muito pequena que não conseguem avançar porque não têm como custear um investimento maior;

Washington Nunes, técnico da Seleção Brasileira



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