Embaralhou o carteado

Embaralhou o carteado

Silvio Queiroz
postado em 09/08/2017 00:00

Até ontem, era o regime norte-coreano quem proclamava êxitos em série rumo ao objetivo estratégico de dispor de um arsenal atômico capaz de atingir o território continental dos EUA. Agora, é a própria inteligência americana que admite: essa meta pode estar muito mais próxima do que parecia. Seja qual for a realidade exata, Donald Trump é familiarizado com os jogos de azar, como o pôquer. Sabe que é traiçoeira a diferença entre um blefe e uma cartada vencedora.

É um dilema dessa ordem que a Coreia do Norte representa hoje ; para os EUA, para os vizinhos Coreia do Sul e Japão, até mesmo para um aliado, como a China, ou para uma potência como a Rússia, que procura manter distância prudente do regime de Kim Jong-un. Em resumo, os mísseis norte-coreanos parecem prontos, ou quase, para dar substância às ameaças do jovem líder da dinastia comunista.

Desde que entrou em vigência o Tratado de Não Proliferação (TNP) de armas nucleares, o clube dos países dotados desse poderio bélico ganhou sócios não oficiais que se juntaram aos cinco originais: EUA, Rússia (antes, União Soviética), Reino Unido, França e China. Índia e Paquistão, vizinhos que já disputaram três guerras, parecem contidos nos moldes que balizaram o ;equilíbrio do terror; entre Washington e Moscou, ao longo da Guerra Fria. O arsenal de cada um serve como garantia de que o outro não lançará a primeira bomba. Israel, embora não tenha contrapeso entre os vizinhos árabes e muçulmanos, tem na própria capacidade atômica um fator suficiente de dissuasão.

A Coreia do Norte é incógnita. Tecnicamente, segue em guerra com a Coreia do Sul. Vê nos mísseis balísticos intercontinentais a cartada decisiva para manter em xeque os adversários. Mas assume plenamente a forma de uma ameaça ; e resta saber como ela será tratada por Trump, igualmente imprevisível.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação