Fuzis e submetralhadoras na disputa de território

Fuzis e submetralhadoras na disputa de território

ISA STACCIARINI
postado em 09/08/2017 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Rafael Wanderson Otaviano, 35 anos, morreu executado com 60 tiros quando chegava ao Fórum de Santa Maria para uma audiência. Quatro meses depois, o tio dele, Galba Rogério Otaviano da Silva, 39, foi assassinado de forma semelhante em uma rua do Recanto das Emas. Os crimes aconteceram em abril e agosto de 2016 e, em ambos os casos, as vítimas tiveram a vida interrompida pelas mãos do mesmo grupo: uma facção rival que disputava o tráfico de drogas nas regiões de Santa Maria, Gama e Entorno Sul. Perigosos e destemidos, os homens que mataram Rafael e Galba não pensam duas vezes antes de atirar com armamento pesado. Usam fuzis, submetralhadoras e pistolas com alongadores, que aumentam o poder de fogo.
Em mais de um ano, a investigação da Polícia Civil chegou ao nome de sete integrantes da organização criminosa e a ao menos três adolescentes. Juntos, eles cometeram cinco homicídios e três tentativas de assassinatos. O grupo fez a primeira vítima em 31 de janeiro de 2015. Todos os que morreram tinham uma disputa com os assassinos: competiam pelo espaço do tráfico e demonstravam resistência em apoiar a organização, comandada, segundo os investigadores, por Hélio Alves dos Santos Oliveira, 39 anos.
Ontem, ele e mais três comparsas foram presos na Operação Faida, da Divisão de Homicídios II, vinculada à Coordenação de Repressão a Homicídios (CH). Três, no entanto, continuam foragidos. Hélio foi localizado na casa onde morava em Formosa (GO), distante cerca de 80km de Brasília. Segundo a diretora da divisão responsável pela condução do caso, a delegada Viviane Bonato, ele dizia que era pedreiro, mas tinha uma casa acima do padrão de vida informado e em um bairro tradicional da cidade.
A polícia encontrou outros integrantes do grupo ; Haynner Augusto da Silva e Ronald Rodrigues de Oliveira, ambos de 24 anos, e Patrick Gabriel Pereira da Silva, 19 ; em casa, nas regiões de Santa Maria e do Gama. No entanto, Vitor Wagner Rodrigues Lira, 19, Alcemir Oliveira do Nascimento, 40, e Maicon Nascimento de Araújo, 29, seguem foragidos.
Na visão da delegada, a liberdade dos criminosos coloca em risco a sociedade. ;Eles são pessoas de extrema periculosidade e, em liberdade, podem causar um grande mal à sociedade. Enquanto estiverem na rua, essa guerra vai continuar. São pessoas que não pensam duas vezes antes de dispararem;, ponderou.
Além do tráfico de drogas e dos assassinatos, o grupo é investigado por agir em ocorrências de roubo de carro, disparos em via pública, porte de arma e participação em associação criminosa armada. No caso dos roubos a veículos, eles executavam as vítimas, mudavam as placas dos carros e, depois, abandonavam o carro no Entorno do DF. Agora, vão responder por associação criminosa armada, corrupção de menores, homicídio e tentativa de assassinato. ;Trata-se de um grupo que resolvia suas diferenças e atuações criminosas tirando a vida dos oponentes;, reforçou o coordenador da CH, delegado Ecimar Loli.
A intenção da quadrilha, segundo a delegada Viviane, era expandir o território do tráfico. Rafael e Galba Rogério, por exemplo, eram inimigos da organização criminosa, porque disputavam o espaço do comércio ilegal. Os outros feridos acabavam sendo atingidos por bala perdida. Algumas delas não tinham envolvimento com o crime, como o caso de um homem atingido na nuca em 31 de janeiro de 2015.

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