Mercado de trabalho começa a reagir no DF

Mercado de trabalho começa a reagir no DF

Taxa de desemprego no país recuou para 13% no 2° trimestre. Número de desocupados caiu de 14,1 milhões para 13,4 milhões. Na capital federal, houve redução de 14,1% para 13,1%

MARLLA SABINO ESPECIAL PARA O CORREIO ADRIANA BOTELHO*
postado em 18/08/2017 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press

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(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press )


Lentamente, o mercado de trabalho começa a dar sinais de que superou a fase mais crítica. A queda na taxa de desocupação no país, estimada em 13% no segundo trimestre de 2017, foi puxada por números de 10 estados e do DF. Em relação aos primeiros três meses deste ano, o saldo caiu de 14,1 milhões para 13,4 milhões de desempregados.

No segundo trimestre, o país contratou mais pessoas que trabalham menos horas do que pretendiam: eram 5,8 milhões de empregados nessas condições. Outros sete milhões gostariam de trabalhar, mas, por algum motivo, não estavam à procura de emprego.

No DF, a taxa de desocupação caiu de 14,1% para 13,1%. A estudante Mariana da Silva Barcellos, 18 anos, é uma das pessoas que conseguiram emprego recentemente na cidade, numa loja de sapatos. A decisão de conciliar estudo e trabalho foi tomada após perceber que a mãe não estava conseguindo manter todas as despesas de casa com o salário. ;As contas estavam altas, então, comecei a ir às lojas e a mandar currículo por e-mail;, explicou. A jovem contou que passou por vários processos seletivos durante seis meses. ;Fiz muitas entrevistas, mas ninguém me retornava ou eu nunca passava da segunda fase;, lamentou.

De acordo com a avaliação de Cimar Azeredo ; coordenador de trabalho e rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) ;, a geração de postos de trabalho não é a solução para os problemas de emprego no país. ;O governo precisa pensar em políticas de assistência que deem condições para a mulher colocar o filho na creche, por exemplo, ou o homem colocar a mãe em algum local que cuide de idosos;, afirmou o técnico da pesquisa.

Autônomos
Somados, os desocupados, os que trabalham menos do que gostariam e os que, por algum motivo, não procuram por um emprego representaram um contingente de 26,3 milhões no segundo trimestre. O número é menor do que o registrado nos primeiros três meses deste ano, quando 26,5 milhões de brasileiros estavam nessas condições, o que implicou na retração da taxa, de 24,1%, no primeiro trimestre para 23,8% no segundo trimestre.

Ao analisar os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o economista Bruno Ottoni, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), afirmou que os empregos criados nesse período são, na maioria, de pessoas que estão trabalhando por conta própria. Isso pode, a longo prazo, ser uma preocupação para a recuperação da economia, já que muitos apenas buscam uma fonte de rendimento. ;O emprego informal é mais volátil, ou seja, há chances de que essa pessoa volte para as estatísticas de desempregados;, explicou.

Para o economista José Márcio Camargo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e economista da Opus Gestão de Recursos, o cenário é positivo, comparado aos dados do ano passado. ;Vemos uma queda na taxa de emprego, uma pequena redução na subutilização, e os salários voltam a crescer. O mercado de trabalho reage, o que demonstra que a economia do país está melhorando;, frisou.

*Estagiária sob supervisão de Cida Barbosa

Cenário desigual

Unidade da Federação Taxa de desocupação %
jan-mar/2017 abr/jun/2017
Pernambuco 17,1 18,8
Alagoas 17,5 17,8
Bahia 18,6 17,5
Amapá 18,5 17,1
Rio de Janeiro 14,5 15,6
Rio Grande do Norte 16,3 15,6
Amazonas 17,7 15,5
Acre 15,9 14,9
Maranhão 15 14,6
Sergipe 16,1 14,1
Piauí 12,6 13,5
São Paulo 14,2 13,5
Espírito Santo 14,4 13,4
Ceará 14,3 13,2
Distrito Federal 14,1 13,1
Minas Gerais 13,7 12,2
Tocantins 12,6 11,7
Paraíba 13,2 11,4
Pará 13,8 11,4
Goiás 12,7 11
Roraima 10,3 10,8
Rondônia 8 8,9
Mato Grosso do Sul 9,8 8,9
Paraná 10,3 8,9
Mato Grosso 10,5 8,6
Rio Grande do Sul 9,1 8,4
Santa Cataria 7,9 7,5
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

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