À espera de PIB positivo no 2º trimestre

À espera de PIB positivo no 2º trimestre

ANTONIO TEMÓTEO ROSANA HESSEL
postado em 18/08/2017 00:00
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) divulgado ontem registrou alta de 0,5% em junho e de 0,25% no segundo trimestre de 2017. O resultado mensal ficou abaixo das expectativas dos analistas, que estimavam um crescimento de 0,7%. Apesar disso, boa parte do mercado está confiante de que o pior ficou para trás e avalia que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre será positivo, o que consolidará o processo de recuperação, mesmo que lentamente.

Em relação ao mesmo mês do ano passado, o IBC-Br teve queda de 0,6% e, nos últimos 12 meses, encerrados em junho, acumula retração de 2%. Nas contas do economista Artur Manoel Passos, do Itaú Unibanco, o PIB do segundo trimestre terá variação igual a zero. Anteriormente, a instituição financeira estimava uma retração de 0,2%. De acordo com ele, a alta é consequência dos dados mais fortes em junho. ;As surpresas positivas envolvem a produção industrial, as vendas no varejo, a receita real de serviços e o mercado de trabalho;, disse.

Mais otimista, o economista-chefe do Banco UBS, Tony Volpon, estima que o PIB crescerá 0,3% no segundo trimestre. Ele explicou que, até maio, a estimativa era de retração. Entretanto, as surpresas positivas de junho favoreceram uma recuperação da atividade econômica. ;Levando em consideração a turbulência política nos últimos meses, acreditamos que a economia teve um desempenho razoável, sugerindo que acabou a recessão de quase três anos do país. Observamos que o IBC-Br ainda está 10% abaixo do seu pico de 2014, o que indica que a economia apenas começa a mostrar alguns sinais de vida;, destacou.

Volpon explicou que a melhora decorreu do acúmulo de dados positivos da produção industrial, do varejo, do setor de serviços, do mercado de trabalho e do setor externo. ;Os resultados do segundo trimestre reforçam nossa previsão de crescimento de 0,5% em 2017. Esperamos que o crescimento do PIB acelere para 3,1% em 2018;, disse.

Retomada lenta
Mesmo com retomada limitada da confiança, a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, revisou sua projeção para o PIB do segundo trimestre diante dos últimos números antecedentes mais positivos. ;Como os últimos dados vieram melhores, mudamos nossa previsão, que era uma queda de 0,3% para zero. Estamos prevendo estabilidade, porque a agropecuária, que teve um ótimo desempenho no primeiro trimestre e ajudou na alta de 1% do PIB, deverá contribuir negativamente para o desempenho de abril a junho;, explicou.

Para ela, o impacto da crise política, com a delação dos donos da JBS e a denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer, não afetou muito a atividade econômica. Além disso, o ambiente externo está ajudando, pois não há nenhuma instabilidade grave, e a economia mundial se recupera de forma melhor que o Brasil. ;Mas, olhando com lupa para os dados da economia brasileira, estamos começando a revisar as nossas previsões de longo prazo, que estavam mais otimistas que as do mercado. A revisão das metas fiscais de 2017 e 2018 tende a afetar o ritmo de retomada do crescimento nos próximos anos;, alertou, lembrando que as medidas anunciadas não serão suficientes para resolver o problema fiscal. ;Muitas delas foram focadas no funcionalismo público e atingem um grupo que tem poder de mobilização. Nossa avaliação é que isso vai dificultar o avanço da reforma da Previdência;, alertou.

Ontem, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou continua a ver a política fiscal como ;uma importante variável de ajuste econômico e que ela segue a mais rigorosa possível dentro da Constituição Brasileira;.

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