Pouco nutriente e muita caloria aumentam risco de câncer

Pouco nutriente e muita caloria aumentam risco de câncer

postado em 18/08/2017 00:00



Apesar de diversas pesquisas terem comprovado a ligação entre obesidade e cânceres, os cientistas sabem pouco sobre como a proporção de energia para o peso do alimento, conhecida como densidade de energia dietética (DED), pode contribuir para o risco de tumores. Em busca de dados nesse sentido, pesquisadores norte-americanos analisaram a quantidade de DED presente na dieta de mulheres que estão no período pós-menopáusico e descobriram que o consumo de alimentos com taxas elevadas desse parâmetro, como os fast foods, está ligado a um aumento de 10% no risco de surgimento de carcinomas relacionados à obesidade em mulheres com peso normal.

Os autores do artigo, publicado na última edição do Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, explicam que o DED é uma medida da qualidade de um alimento que mostra a relação entre calorias e nutrientes presentes nele. Quanto mais calorias por grama de peso um alimento tem, maior a DED dele. São considerados alimentos de DED baixo os vegetais, frutas, proteínas magras e feijões, porque fornecem muitos nutrientes usando poucas calorias. Já alguns alimentos processados, como hambúrgueres e pizza, são considerados fontes de alto teor de DED porque é necessário consumir uma quantidade maior deles para obter os nutrientes necessários ao corpo.

Na análise, os pesquisadores usaram dados de 90 mil mulheres pós-menopáusicas participantes do estudo chamado Iniciativa de Saúde da Mulher, que tem informações sobre a alimentação e diagnóstico de câncer de voluntárias. A equipe descobriu que aquelas que seguiam uma dieta maior em DED eram 10% mais propensas a desenvolver um câncer relacionado à obesidade, independentemente do índice de massa corporal (IMC) que tinham. ;Esse achado sugere que, sozinho, o controle de peso pode não proteger contra cânceres relacionados à obesidade se as mulheres preferirem um padrão de dieta indicativo de alta densidade de energia;, explicou, em comunicado, Cynthia A. Thomson, professora da Universidade do Arizona e uma das autoras do estudo.

Para a equipe, a constatação pode ajudar a convencer as mulheres que vivem a fase pós-menopáusica a fazerem melhores escolhas alimentares, mesmo não tendo problemas de excesso de peso. ;Entre as mulheres de peso normal, o maior DED pode ser um fator contribuinte para cânceres relacionados à obesidade;, frisou Thomson. Os pesquisadores ressaltaram a necessidade de um estudo mais aprofundado para entender, por exemplo, como a DED pode potencializar o risco de ocorrência de tumores em outros grupos da população, como jovens e homens.



Tipos diversos

Segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), que pertence à Organização Mundial da Saúde (OMS), o peso corporal adequado contribui para a redução do risco de surgimento de 13 tipos de câncer. São eles: de estômago, de pâncreas, de tireoide, de ovários, de fígado, da vesícula biliar, de cólon e reto, de esôfago, de rim, de mama na pós-menopausa, de endométrio, meningioma e mieloma múltiplo. A lista, divulgada no ano passado, é resultado do trabalho de 21 pesquisadores, que avaliaram mais de 100 estudos científicos sobre o tema.

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