És preto e branco

És preto e branco

Após injúria racial à família de Vinicius Júnior em clássico, especialistas divergem de possível exclusão do Botafogo. Presidente condena atitude de alvinegro e solicita que jogo fique em primeiro plano

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 18/08/2017 00:00
 (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)
(foto: Yasuyoshi Chiba/AFP)



A possibilidade de o torcedor e/ou o Botafogo serem punidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJD) devido à injúria racial contra a família de Vinícius Júnior no duelo de ida contra o Flamengo, quarta-feira, no Estádio Nílton Santos, no Rio, divide a opinião de especialistas ouvidos pelo Correio que participam, em Curitiba, do Congresso de Direito Desportivo da OAB-PR. A exclusão do Grêmio diante do Santos nas oitavas de final da Copa do Brasil, em 2014, no caso Aranha, é o precedente. Em 28 de agosto de 2014, uma mulher tricolor ofendeu o goleiro. Punição ao time gaúcho: expulsão da competição ; a primeira na história do futebol nacional.

Presidente da Comissão de Direito Desportivo e Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Maurício Corrêa da Veiga considera o caso do Botafogo idêntico ao do Grêmio e defende a exclusão do time alvinegro das semifinais da Copa do Brasil. ;É semelhante ao caso do Aranha, sim. As consequências podem ser as mesmas;, aponta. ;Tenho um posicionamento muito firme em relação a isso. Pela história do esporte e o seu espírito de confraternização universal, independentemente de raça, credo, cor e etnia, esses atos têm de ser coibidos com veemência;, argumenta ele, que tem um artigo publicado no site Consultor Jurídico sobre episódios de racismo no futebol e organizou, no ano passado, um debate no Vasco sobre o tema.

Ex-procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Paulo Schmitt discorda de uma possível exclusão do Botafogo da Copa do Brasil. ;Um torcedor apenas não é suficiente para responsabilizar o clube para fins de aplicação de pena nesse sentido, embora possa o clube sofrer outra espécie de penalidade;, opina.

Paulo Schmitt acrescenta: ;Mas a perda de pontos ou exclusão imagino que estariam descartadas pela inafastável exigência de que a infração seja praticada simultaneamente por um elevado número de torcedores com vinculação ao mesmo clube conforme determina o parágrafo1; do artigo 243-G;, cita, referindo-se ao Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD).

A subjetividade do castigo esportivo amplia a polêmica. No caso Aranha, o então goleiro do Santos foi alvo da injúria racial enquanto jogava, ou seja, estava em campo. A defesa do Botafogo pode alegar ; e o STJD acatar ; que o alvo no caso Vinícius Júnior foi a família do jogador, posicionados em um camarote do Estádio Nilton Santos, e que o torcedor do Botafogo foi imediatamente identificado e levado para o JECRIM (Juizado Especial Criminal). ;Seria uma lástima, mas pode acontecer;, admite Mauricio Corrêa da Veiga.

Em sua conta oficial no Twitter, o Flamengo repudiou o ato de racismo contra os familiares de Vinícius Júnior. ;Somos de todos tons de pele, todos os credos, somos todos, menos alguns! Somos rubro-negros! Uma Nação! Racismo, aqui, não;, escreveu o clube.

O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, estava próximo ao camarote da família de Vinicius Junior. ;Vi as imagens, pois estava no outro camarote. Aparentemente foi isso aí. A Justiça agora vai avaliar;, disse, referindo-se ao vídeo da suposta injúria racial.





;É semelhante ao caso do Aranha, sim. As consequências podem ser as mesmas. Esses atos têm de ser coibidos com veemência;
Mauricio Corrêa da Veiga, presidente da Comissão de Direito Desportivo e Conselheiro da OAB-DF

;Um torcedor apenas não é suficiente para responsabilizar o clube para fins de aplicação de pena nesse sentido, embora possa o clube sofrer outra espécie de penalidade;

Paulo Schmitt, ex-procurador do Superior Tribunal de Justiça Desportiva

;Foi o ato de uma única pessoa, ninguém mais apoiou essa atitude. Importante deixar isso muito claro. Que a gente trate o clássico que ocorreu com o futebol como principal elemento;

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação