Dívida pública vai a 73,8% do PIB

Dívida pública vai a 73,8% do PIB

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 31/08/2017 00:00
A dívida pública segue em ritmo explosivo de crescimento. Após detalhar que o endividamento bruto do setor público chegou a 73,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em julho, o Banco Central (BC) estimou que o indicador saltará para 74,3% em agosto. Os resultados são os piores da série estatística iniciada pela autoridade monetária em 2006. Especialistas afirmam que, sem a aprovação da reforma da Previdência, a tendência é de piora significativa nos próximos anos.

Pela expetativa do mercado, a dívida terminará o ano em 75,9% do PIB, com os mais pessimistas apostando em 80,3%. A dívida líquida também renovou recorde ao alcançar, em julho, 50,1% do total de riquezas produzidas pelo país. Para agosto, a estimativa do BC é de que o índice avance para 50,8%. A sequência de resultados negativos é fruto dos sucessivos rombos nas contas públicas.

Ontem, o BC informou que o deficit fiscal do setor público consolidado chegou a R$ 170,5 bilhões no período de 12 meses encerrado em julho. A nova meta fiscal definida pelo governo prevê um rombo de R$ 163,1 bilhões.

Somente o governo central, que reúne as contas do BC, do Tesouro Nacional e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), teve rombo de R$ 182,3 bilhões no período, o equivalente a 2,85% do PIB. O objetivo da equipe econômica é limitar as necessidades de financiamento a R$ 159 bilhões.

O buraco nas finanças públicas consolidadas é menor que o do governo central porque os governos regionais registraram superavit de R$ 10,4 bilhões, enquanto as estatais contribuíram positivamente com R$ 1,8 bilhão.

O agravamento da crise política, que prejudica as perspectivas de reformas, prejudica o controle da dívida pública, avalia o economista-chefe do banco Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos. Segundo ele, um ajuste fiscal estrutural profundo e permanente deve ser o principal foco do governo para restaurar o equilíbrio doméstico. ;Em vez de deficit, o Brasil precisa ter superavit primário de 3% a 3,5% do PIB. Este seria o nível que colocaria a dívida pública bruta em trajetória declinante;, detalhou.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, alertou que a dívida bruta cresceu 5,15 pontos percentuais entre julho de 2016 e julho de 2017. Em relação a dezembro de 2011, o crescimento foi ainda mais espantoso e totalizou 22,49 pontos percentuais. ;A dinâmica da trajetória da dívida bruta é a principal variável de sustentabilidade fiscal de longo prazo, e o novo regime fiscal, ainda em fase de aprovação e implantação, tem como objetivo estabilizar essa relação a médio prazo caso obtenha sucesso;, destacou.

Thaís avaliou que a dívida bruta ruma rapidamente para 80% do PIB, seguindo em patamares desconfortáveis e elevados quando comparada com outros países emergentes ou com avaliação de risco similar. ;Essa é uma das mais importantes variáveis a determinar o grau de investimento concedido pelas agências de rating, que foi perdido pelo Brasil em 2015;, explicou.

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