Harvey na segunda investida

Harvey na segunda investida

Tempestade avança sobre a Louisiana e ameaça Nova Orleans, depois de causar 30 mortes no Texas. Houston, semissubmersa por cinco dias de chuva torrencial, conta os prejuízos e tenta retornar à realidade

postado em 31/08/2017 00:00
 (foto: 
Brendan Smialowski/AFP
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(foto: Brendan Smialowski/AFP )

Enquanto o Texas começava lentamente a retomar a normalidade, cinco dias depois da chegada do furacão Harvey, ontem era a vizinha Louisiana que se preparava para chuvas torrenciais no retorno do fenômeno ao território norte-americano, agora como tempestade tropical. Desde sábado, o fenômeno causou ao menos 30 mortes, segundo um balanço oficial parcial. Em particular, medidas preventivas foram tomadas em Nova Orleans, devastada em 2005 pelo furacão Katrina, que deixou 1.800 mortos. Com várias áreas construídas em terreno abaixo do nível do mar, a cidade famosa pelo jazz e pelo carnaval recordou na terça-feira o 12; aniversário da catástrofe em meio a promessas das autoridades de que não se repetirão as falhas na proteção da população.

Harvey atingiu ontem o oeste da cidade de Cameron, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês), inundando regiões do sudeste do Texas e sudoeste da Louisiana, declarada em estado de emergência pelo presidente Donald Trump, na segunda-feira. O estado suportava ventos máximos de 72km/h ; bem menos que os 215km/h registrados no litoral texano, no sábado, quando Harvey era um furacão de categoria 4, em uma escala que chega a 5.

Em Nova Orleans, o escritório local do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) previu a precipitação de 130mm a 250mm de chuva na região. O prefeito, Mitch Landrieu, orientou os moradores a se manterem ;vigilantes e cautelosos;, uma vez que a cidade já sofreu uma inundação no início do mês, por falhas registradas no sistema de drenagem.

Recuperação

Houston, ;capital; petroleira do Texas e quarta maior cidade dos Estados Unidos, ensaiava ontem o retorno parcial à normalidade, depois de ter ficado semissubmersa por cinco dias de chuva forte e incessante. Com ao menos 8 mil pessoas fora de casa e a expectativa de que o número de desabrigados chegue a 30 mil, a cidade amanheceu sob toque de recolher noturno, decretado na véspera pelo prefeito Sylvester Turner, para impedir saques. Com uma trégua no mau tempo, os dois principais aeroportos foram reabertos, mas apenas para atendimento nos balcões das companhias ; pousos e decolagens serão retomados ;em fases;, informaram as autoridades,

Lojas e supermercados receberam filas de clientes que aproveitaram as condições favoráveis para comprar água, alimentos e utensílios de primeira necessidade. Além de ruas, avenidas e estradas alagadas, a tempestade rompeu um dique e causou o desabamento de uma ponte. A indústria petroleira e petroquímica paralisou as atividades, com consequências esperadas para a economia não apenas da região, inclusive pela perspectiva de aumento nos preços da gasolina. Economistas calculam que Harvey deixará prejuízos entre US$ 30 bilhões e US$ 100 bilhões.

O presidente Donald Trump, que visitou o Texas na terça-feira, evitou se deslocar a Houston para não atrapalhar as operações de resgate. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, anunciou que Trump deve retornar ao estado no sábado e poderá visitar também a Louisiana se as condições climáticas permitirem.

Socorro
bolivariano

A despeito das relações cada vez mais tensas com os Estados Unidos e da grave crise econômica que afeta o país, com escassez de alimentos e medicamentos para a população, a Venezuela decidiu oferecer US$ 5 milhões para ajudar as áreas afetadas pelo Furacão Harvey. ;Essa é a expressão de solidariedade da Venezuela, para além de qualquer diferença política que tenhamos que expressar hoje, diante dos efeitos de um fenômeno devastador. Toda nossa solidariedade ao povo dos Estados Unidos;, disse o chanceler Jorge Arreaza.

A cooperação vai reeditar um programa de fornecimento de óleo de aquecimento realizado em 2005 pelo então presidente Hugo Chávez, após a passagem do furacão Katrina, que deixou 1,8 mil mortos. ;Com base naquele antecedente, vai haver um apoio direto da Citgo para as famílias afetadas em Houston e Corpus Christi;, anunciou Arreaza pela emissora estatal VTV. A Citgo é a filial nos EUA da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), alvo de recentes sanções do presidente Donald Trump.

Arreaza anunciou que Maduro pretende ainda destinar um percentual das vendas de gasolina à reconstrução de casas danificadas e aos refúgios afetados. Segundo o chanceler, o governo também vai colocar à disposição do encarregado de negócios dos Estados Unidos na Venezuela insumos, equipes de emergência e médicos. Os dois países deixaram de ter embaixadores em 2010.

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