Risco de mais uma cirurgia

Risco de mais uma cirurgia

Joaquim Roriz volta ao hospital quatro dias depois da amputação de dois dedos do pé devido ao agravamento do diabetes. Médicos avaliam a possibilidade de ampliar o procedimento para evitar o comprometimento da circulação sanguínea

» Otávio Augusto
postado em 31/08/2017 00:00
 (foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)

Quatro dias após amputar dois dedos, o ex-governador Joaquim Roriz voltou a ser hospitalizado. O político foi levado novamente ao Hospital do Coração do Brasil, na Asa Sul. A equipe médica avalia a necessidade de aumentar a amputação por conta do agravamento do diabetes. A família ainda não comentou o retorno dele à unidade médica.

Aos 81 anos, Roriz retirou dois dedos do pé no sábado passado. A equipe médica que acompanha o ex-governador optou pela amputação para evitar o comprometimento da circulação, o que poderia levar à necrose dos membros. Em junho passado, ele passou por um procedimento para melhorar a circulação, com o aumento da quantidade de oxigênio transportado pelo sangue. O quadro clínico chegou a evoluir com a implantação de um stent para desobstruir as artérias.

Doente renal crônico há mais de uma década, Roriz tem de se submeter a sessões diárias de hemodiálise para filtrar o sangue. Em 2015, ele passou mal em casa, e os médicos diagnosticaram uma isquemia cardíaca, o que levou à necessidade de um cateterismo. Além disso, cinco anos atrás, teve de implantar três pontes de safena.

O ex-governador tem dificuldade para caminhar. Em distâncias maiores, precisa usar cadeira de rodas. Em 2014, chegou a entrar na fila para o transplante de rim, mas não pôde ser submetido à cirurgia porque não tinha condições de saúde para fazer o procedimento com sucesso.

Trajetória política
Roriz iniciou a carreira política, na década de 1970, como vereador de Luziânia, distante 60km de Brasília. Depois, tornou-se deputado estadual por Goiás. Em 1986, venceu a eleição para vice-governador do estado. O primeiro mandato para comandar o Distrito Federal veio pelas mãos do então presidente da República, José Sarney, em 1988 ; à época, a capital não elegia seus gestores, o que mudou com a promulgação da Constituição Federal em outubro do mesmo ano.

O político integrou o ministério do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1990. Foi foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária por 14 dias. Renunciou ao cargo para concorrer ao Palácio do Buriti. Ganhou a eleição e chefiou o Executivo local entre 1991 e 1995. Ficou conhecido pela política habitacional de distribuição de lotes em áreas públicas, criando cidades como Samambaia, Recanto das Emas, Santa Maria, Riacho Fundo.

O terceiro mandato de Roriz começou em 1999 e durou até março de 2006, quando renunciou em favor de sua vice, Maria de Lourdes Abadia, para lançar-se candidato e vencer a disputa pelo Senado. A sucessora dele disputou a reeleição, mas acabou derrotada no primeiro turno por José Roberto Arruda. Roriz renunciou à cadeira na Casa legislativa em julho do mesmo ano, após se envolver no escândalo de desvios de dinheiro do BRB, escapando, assim, do processo de cassação que poderia deixá-lo oito anos inelegível.

Em abril de 2010, o Tribunal de Justiça do DF acatou a denúncia do Ministério Público Federal em que Roriz é acusado de desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 4 de agosto do mesmo ano, o Tribunal Regional Eleitoral do DF negou, por quatro votos a dois, a candidatura dele ao Executivo local.




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