Acidente deixa 29 feridos na EPIA Sul

Acidente deixa 29 feridos na EPIA Sul

» INGRID SOARES Especial para o Correio » YASMIN CRUZ*
postado em 31/08/2017 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


;Eu vi muita gente machucada, com a boca cortada. Alguns perderam até os dentes;. Esse é o relato de Kelliane Rodrigues Feliciano, uma das 29 passageiras feridas em um acidente de ônibus na Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia Sul), altura do Catetinho. O coletivo da empresa União Transporte Brasília (UTB) saiu de Cidade Ocidental (GO) com destino ao Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), colidiu na traseira de um HB20, perdeu o controle, derrubou um outdoor e, por pouco, não caiu em uma vala no canteiro central.

No coletivo, havia cerca de 75 passageiros, e muitos entraram em pânico. Alguns quebraram as janelas para conseguir sair do veículo. A moradora de Cidade Ocidental, Kelliane, 21 anos, bateu com a cabeça e foi levada para avaliação no Hospital de Base. ;Eu estava dormindo, ouvindo música no fone de ouvido. De repente, o acidente já estava acontecendo. Foi um momento de tensão. Os passageiros estavam desesperados e começaram a quebrar os vidros para sair do ônibus;, relata.

Três faixas da rodovia ficaram interditadas para o atendimento aos feridos. Homens do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) estenderam lonas verdes no chão para atender os pacientes. Geralmente, as lonas coloridas (verde, amarela, vermelha e preta) são usadas para direcionar as vítimas conforme a gravidade. Como havia muitas ambulâncias no local, os socorristas só usaram as verdes. As ambulâncias ficaram posicionadas na marginal e seguiam em direção a três unidades de saúde. Hospital de Base, Hospital Regional de Santa Maria e para o Hospital Regional do Gama.

O acidente provocou engarrafamento no local. A marginal da Epia foi interditada na altura do Catetinho e liberada duas horas depois do acidente. No momento da perícia, três faixas chegaram a ser fechadas simultaneamente.

A feirante Jéssica Mayara Pereira, 25, também estava no veículo . A companheira dela, Deyvilla Renele, 24, chegou aos prantos no Hospital de Base. ;Fiquei paralisada, só imaginava ela no acidente e vim o mais rápido que pude;, contou. O fato de Jéssica já ter um pino no joelho direito era a causa da preocupação ainda maior da família.

Cerca de uma hora após ela dar entrada no hospital, Jéssica foi carregada pelos familiares até a ortopedia, pois não havia cadeira de rodas disponível. ;Estou feliz que ela esteja viva. Isso foi um milagre;, comentou a mãe, Marcilene Pereira de Oliveira, moradora do Riacho Fundo 2. Após os exames, a fratura na perna esquerda foi constatada. No fim do dia, Jéssica já havia recebido alta. Ficará uma semana na casa da mãe, sem poder colocar o pé no chão.

Com a roupa cheia de sangue e o nariz machucado, Izabele Cristine, 20, passou por avaliação no Hospital de Base e, na saída, relatou os fragmentos de lembranças do acidente. ;Percebi que o ônibus faria uma curva perigosa e, então, segurei bem forte. Bati minha cabeça e, quando meu nariz começou a sangrar, me dei conta de que havia sofrido um acidente.;

Jogo de empurra

No local do acidente ficaram cacos de vidro e pedaços de metal retorcidos. A frente do ônibus ficou destruída. A traseira e a lateral do HB20 ficaram avariadas. Os motoristas envolvidos trocaram acusações sobre a responsabilidade pelo acidente. A condutora do HB 20, Ana Cristina Cardoso, 28, estava com a mãe no banco do passageiro. Nenhuma das duas se feriu. ;Estava na pista da direita e o ônibus veio perdendo o controle e bateu na traseira. Ele vinha em alta velocidade e não teve tempo de parar. Ele bateu, tentou desviar, mas foi parar no canteiro central depois de colidir com um outdoor;, afirma.

Já o motorista do coletivo, José Sebastião Martins Souza Filho, 38 anos, responsabilizou a mulher pelo acidente e negou que estivesse em alta velocidade. ;Fui fazer a ultrapassagem da direita para a esquerda, voltei para a direita e ela fez o mesmo movimento, mas freou bruscamente na minha frente. Não tive como parar;, defende-se.

Segundo o agente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) Márcio Bessa, a condutora do HB20 estava com habilitação vencida desde 2013. O ônibus envolvido no acidente está licenciado e com a documentação em dia, assim como a do motorista. Sobre as causas e responsabilidades do acidente, só serão conhecidas após a perícia da Polícia Civil.

O Departamento de Trânsito (Detran) só tem computados os acidentes fatais envolvendo ônibus. Até julho deste ano, ocorreram sete casos. Os registros de acidentes como o de ontem, com feridos, só são contabilizados no fim de cada ano.

* Estagiária sob a supervisão de Adriana Bernardes

Rodoviários adiam decisão sobre greve
Rodoviários e representantes das empresas de ônibus do DF suspenderam a reunião de conciliação, adiada para a próxima segunda-feira. A discussão será retomada às 9h30, no Tribunal Regional do Trabalho. Até lá, o Sindicado dos Rodoviários garantiu a normalidade do serviço. Na segunda-feira, a categoria paralisou as atividades por 24 horas. A categoria reivindica reajuste salarial de 10%, além de aumento do tíquete-alimentação e da cesta básica. Porém, as empresas de ônibus alegam não ter condições de arcar com aumento superior ao percentual de reposição da inflação.

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