"Infelizmente, o Brasil é um país corrompido"

"Infelizmente, o Brasil é um país corrompido"

A sócia da rede de laboratórios Sabin, pelo perfil empreendedor, tem sido assediada a disputar eleições

» ANA DUBEUX » ANA MARIA CAMPOS » HELENA MADER
postado em 03/09/2017 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)


A busca por um nome novo na política, com perfil ficha limpa, empreendedor e de realizações na cidade, transformou a empresária Janete Vaz em uma das personalidades mais assediadas de Brasília. Sócia da rede de laboratórios Sabin, a bioquímica tem sido sondada por parlamentares, presidentes de partidos e por líderes empresariais para uma possível candidatura majoritária em 2018. Ela reconhece o cerco, mas é categórica: não disputará eleições. Isso não significa que Janete ficará fora do pleito do ano que vem: ela defende um protagonismo mais forte da classe empresarial. ;Infelizmente, os empresários brasileiros são omissos na política. Temos que falar mais, participar mais, precisamos estar juntos nessa hora da escolha, porque, certamente, teremos melhores pessoas no poder;, justifica.

Janete critica a gestão do governador Rodrigo Rollemberg, especialmente por conta de indicações políticas para cargos estratégicos, mas elogia a primeira-dama do DF, Márcia Rollemeberg. ;Disse a ela que, se fosse preciso, juntaria um grupo de mulheres para apoiar outra mulher. Brinquei: ;está todo mundo correndo atrás de mim, mas eu vou indicar o seu nome;. A Márcia é uma pessoa competente, determinada;, justifica.

Ao lado da sócia, Sandra Costa, a empresária tem previsão de faturamento de R$ 900 milhões para este ano e está à frente de uma das empresas que mais crescem na capital ; são 225 unidades, em 22 cidades. Com a autoridade de empreendedora de sucesso, Janete deu 70 palestras no ano passado, contando bastidores de sua trajetória exitosa nos negócios. Também participa de grupos atuantes de empresários, nos âmbitos local e nacional, e tem como bandeira reduzir as desigualdades de gênero no país.

Nascida em Anápolis, mãe de três filhos e avó de três netos, Janete fala com orgulho da carreira, mas são os detalhes da vida pessoal que fazem brilhar os olhos da empresária. Ela se casou no ano passado, aos 62 anos, com o advogado Flávio Marcílio, em uma grande festa. ;O importante é começar a enxergar que você pode transformar a sua vida em qualquer fase dela. Com a mesma ousadia que comecei o Sabin, lá atrás, com 29 anos, eu comecei outra vez, casando aos 62 anos;.




Qual o impacto da corrupção na crise que o país enfrenta?
Infelizmente, o Brasil é um país corrompido. A pior coisa de uma sociedade é quando ela perde os valores. O primordial de uma família, de um Estado, são os valores. Até os princípios bíblicos foram esquecidos hoje, valores que são fundamentais. Falamos de Deus dentro da empresa com a maior naturalidade, não no sentido da religião, mas para valorizar princípios, como a gratidão, a humildade, a responsabilidade. Dar liberdade às pessoas, ser justo. São valores que fazem o crescimento, seja de uma empresa, seja de um país. Temos que trabalhar valores familiares dentro das empresas. Nosso legado, como empresa, será trazer valores e ter um propósito naquilo que queremos. Com ética e responsabilidade, é possível se tornar uma grande empresa. Ninguém vai seguir um líder que não seja otimista. As pessoas querem estar do lado de alguém que seja inspirador. Não temos medo de desafio. Quantas crises passamos e vencemos? Enxergamos o Brasil desse jeito.

Muito se fala a respeito da necessidade de um nome novo para a política,
com espírito empreendedor, e, nos bastidores de Brasília, fala-se que o assédio à
senhora tem sido grande. É verdade?
Eu ouço isso todos os dias, essa conversa de candidatura. No domingo passado, estava em um restaurante e o dono veio falar comigo, disse que poderia mobilizar um monte de gente para me ajudar.

Descarta ser candidata?
Completamente. Nós fazemos políticas públicas todos os dias. Mas política partidária, não. Minha contribuição eu dou contratando quatro mil pessoas, pagando todos os impostos em dia, não fico devendo nada ao governo. Participo de grupos como o Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF). São coisas que podem ajudar a contribuir com gestão ou filosofia.

Como é esse assédio?
É diário. Tenho sido procurada por presidentes de partidos, por políticos.O clamor existe pela falta de nomes, infelizmente. Um senador me ligou esta semana. Ele quer que eu o oriente a escolher alguém que ele possa seguir.

Pretende apoiar alguém?
Não tenho nomes. Outro dia, estava em um fórum em São Paulo, com os presidentes das maiores empresas do Brasil, e percebi a ansiedade e a angústia de todos em ter um nome para a Presidência do Brasil. É claro que é uma angústia nacional essa falta de lideranças políticas prontas.

A eleição do empresário João Doria para a
Prefeitura de
São Paulo acelerou esse fenômeno?
Acredito que sim, pelo perfil dele de empreendedor. Doria estimula? Eu preferiria que ele passasse pelo processo de prefeito, governador, até chegar a candidato à Presidência. Mas acho que ele será candidato.

Eleger empresários de sucesso é uma fórmula que pode dar certo no DF?
O governo precisa de gestão, isso está muito claro. O diferencial do Doria nem é ele, acho que é um empreendedor que deu certo na política. As pessoas estão fazendo essa analogia, do mesmo jeito que deu certo em São Paulo pode dar certo em outros lugares. Mas a pessoa precisa ser política. O Doria tem um histórico, o avô atuou na política. Não é meu sonho, não...

E como avalia a administração Rollemberg?
Até vejo que o governador teve boas intenções. É uma pessoa íntegra. Mas acredito que não foi bem assessorado. Ele tem boas escolhas na equipe, mas poderia ter escolhido melhor. Eu não daria conta de conduzir o Sabin se não tivesse equipe muito competente. Não saberia conduzir a empresa se não tivesse um grupo de gestão capacitado. A presidente e a maioria dos diretores são da casa, cresceram junto com a empresa. Na política, com os arranjos de partidos, às vezes, a escolha para secretarias ou ministérios não é com base na competência técnica. O que dificulta a política são esses arranjos. Ontem (última segunda-feira), até falei para a esposa dele que ela que deveria se candidatar (risos). Gosto muito da Márcia Rollemberg.

Apoiaria a primeira-dama

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