Guardar é preciso

Guardar é preciso

postado em 03/09/2017 00:00
Disciplina. Essa é a palavra-chave para quem quer começar a poupar, segundo o consultor financeiro da Libratta Rogério Olegário. Para ele, a principal regra que deve ser cumprida é ;se pagar primeiro;, ou seja, quando a pessoa recebe a renda mensal, deve separar parte do valor para guardar, na poupança ou em outro investimento que tenha ganho real. ;Não existe uma percentagem fixa, mas a retirada antes de iniciar os pagamentos do mês é fundamental. Se a pessoa deixar para o fim do mês, não vai sobrar;, destaca. Especialistas recomendam começar a poupar 10% da renda e, com o passar dos meses, tentar aumentar essa parcela.

Desde cedo, a estudante Júlia Pinheiro, 20 anos, aprendeu a economizar. Quando nasceu, o avô fez uma poupança e depositava, com ajuda dos pais, valores em datas festivas e quando podia. Ela nunca mexeu no dinheiro. Ao conseguir um estágio e ter renda própria, a estudante fez jus aos ensinamentos do avô e abriu a própria poupança. Deposita todos os meses mais da metade da bolsa que recebe.

;Eu tenho muito claro na minha cabeça que não vou mexer no dinheiro. O único objetivo é deixá-lo guardado, sem ter uma meta específica para a economia. Acho que é algo que as pessoas precisam aprender, porque acredito que há falta de educação financeira na sociedade. Muitas pessoas estão endividadas e, na minha opinião, isso é reflexo de uma falta de ensinamento do que fazer com os recursos financeiros desde criança;, avalia.

Lógica
A estudante opta por não esbanjar para fazer uma reserva. Segundo Júlia, é possível viver o mês sem usar o valor total do salário com a mesma qualidade de vida. ;Eu janto fora, pago minha gasolina e faço as compras do dia a dia, mas nunca deixo que isso se sobressaia ao que preciso gastar;, destaca.

Especialistas afirmam que essa é a lógica para quem quer se preparar para o futuro. Eles ressaltam que o principal investimento que a pessoa pode fazer é mudar o próprio comportamento. Olegário, da Libratta, destaca que, depois de se controlar, a pessoa pode partir para aplicações financeiras. O primeiro passo, segundo ele, é se informar.

;Ninguém precisa ser um expert em economia e mercado, mas deve saber fazer as perguntas certas e chegar às respostas corretas. Sem conhecimento prévio, a pessoa não sai do lugar;, diz. ;Além disso, é preciso entender que cada pessoa tem uma situação financeira diferente, com hábitos diferentes e objetivos diferentes. Um ativo financeiro é igual a um carro. Existem vários tipos, e cada um para um uso distinto que pode agradar a uns e não a outros. Então, é preciso entender o que é melhor para a pessoa, baseada no autoconhecimento e em objetivos a curto, médio e longo prazos;, completa o consultor.

Fernando Marcondes, planejador financeiro do Grupo GGR, defende que as pessoas precisam buscar opções que dão bons resultados. Na visão dele, não há um ativo específico que vai garantir bons resultados, como a poupança e os fundos de investimento, por exemplo.

;É preciso ter uma diversificação de aplicações em ações, renda fixa e multimercados. Temos que entender que os reajustes da mensalidade da escola, do plano de saúde e de outros gastos sobem mais que 6% ao ano. Cabe ao consumidor trabalhar para não perder o que tem de mais precioso: o poder de compra;, recomenda. (HF)




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