Uma questão de prioridade

Uma questão de prioridade

postado em 03/09/2017 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 15/8/17 )
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press - 15/8/17 )


De acordo com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, as estratégias para reduzir os índices de violência no Entorno do DF, na capital federal e em outros estados do país devem passar, necessariamente, pela melhoria da governança pública. Em 2014, o TCU realizou um levantamento sobre a gestão da segurança pública brasileira, avaliação repetida em 2017. Servidores coletaram informações na Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e em secretarias de segurança pública dos estados e do Distrito Federal. ;Em ambos os casos, as conclusões apontam a má governança como causa comum para o desafio da área em todos o país;, ressaltou.

Como o senhor avalia a segurança pública na região do Entorno do DF?
Não obstante os esforços dos governos locais, a segurança pública ainda é tema que causa muita preocupação aos habitantes do centro político e administrativo do Brasil. Os eloquentes números de várias reportagens recentes do Correio Braziliense falam por si. Considerando apenas os números do DF, os dados até que melhoraram: houve uma queda de 9,6% na taxa de homicídios entre 2005 e 2015. Em 2017, tivemos uma queda de 334 para 270 registros de homicídios, ou seja, 64 a menos no acumulado dos sete primeiros meses, em relação ao mesmo período de 2016. Mas o estado de Goiás, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2016, apresentou um aumento nos números de vítimas absolutas nos homicídios dolosos ocorridos entre 2014 e 2015: o estado apresentou 2.580 mortes em 2014 frente a 2.651 ocorridas no ano seguinte. Os municípios do Entorno destacam-se de forma acentuada nesse cenário negativo. Novo Gama e Luziânia aparecem, respectivamente, em 20; e 21; no ranking dos 30 mais violentos do Brasil, divulgado pelo Atlas da Violência, do Ipea, que mapeou homicídios no Brasil em 2015.

Na sua opinião, quais as alternativas para diminuir os
índices de violência nas cidades goianas próximas ao DF?
Em relação à segurança pública, permito-me lançar um olhar mais abrangente, uma vez que alternativas locais para reduzir os índices de violência no Entorno e no DF cabe aos gestores de cada entidade e aos respectivos tribunais de contas. Nesse olhar mais amplo, está claro que a solução não passa apenas pelo incremento de recursos financeiros para o setor. É óbvio que há uma restrição fiscal de grande magnitude, mas, até por esse motivo, os caminhos para reduzir os índices de violência aqui e em todo o país devem passar, necessariamente, pela melhoria da governança pública.

Violência pública não é só uma questão
de polícia. O que o
cenário do Entorno revela?
Em várias de minhas palestras, tenho demonstrado que a desigualdade aqui no DF e no Entorno é assombrosa. Enquanto Brasília ostenta a nona posição no ranking de cidades brasileiras com maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), as do Entorno ocupam as últimas posições: Santo Antônio do Descoberto (2.776); Padre Bernardo (3.090). Essa desigualdade reflete-se com muita ênfase em nossa segurança pública, uma das piores do país. Em 2011, três municípios da região do Entorno (Valparaíso de Goiás, Luziânia e Águas Lindas de Goiás) estavam entre os 200 mais violentos do Brasil, com registro de mais de 60% dos homicídios da região.

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