Com inflação baixa, Selic cai para 8,25%

Com inflação baixa, Selic cai para 8,25%

Copom indica que cortes na taxa básica serão menores nas próximas reuniões e sinaliza com término gradual do ciclo de redução. Analistas veem juros de 7% ao ano em dezembro, mas há quem aposte em diminuição adicional em 2018

ANTONIO TEMÓTEO
postado em 07/09/2017 00:00
Boa parte do mercado está convencida de que o Banco Central (BC) levará a taxa básica de juros (Selic) para 7% ao ano até dezembro. Os mais otimistas estimam que a Selic pode chegar a 6,75% ou até a 6% ao ano ao longo de 2018, diante das boas notícias na área da inflação. Em comunicado divulgado ontem, após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa em mais um ponto percentual, para 8,25% ao ano, a equipe de Ilan Goldfajn sinalizou que o ritmo de cortes será alterado moderadamente. Com isso, a maioria dos analistas passou a apostar em uma queda de 0,75 ponto percentual no encontro do colegiado em outubro e em mais uma redução de 0,5 ponto em dezembro.

A avaliação levou em conta o trecho do comunicado no qual o BC afirma que considera ;como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária;. ;Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo;, prossegue a nota. A autoridade monetária explicou que o cenário básico aponta que a inflação terminará 2017 em 3,3% e 2018 em 4,4%. As projeções levam em conta Selic de 7,25% ao ano até dezembro, de 7% no início do próximo ano e de 7,5% no fim de 2018.

Surpresas
A equipe de Goldfajn ainda ressaltou que o comportamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanece bastante favorável e que surpresas adicionais nos preços de alimentos e de bens industriais podem favorecer o processo de redução de custos. Quem aposta em juros abaixo de 7% ao ano levou em conta o trecho do comunicado que afirma que a ;conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural;.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, destacou, entretanto, que a Selic já está em terreno estimulativo, com taxa real em 3,27%. Para ele, o BC cortará os juros em 0,75 ponto percentual em outubro e em 0,5 em dezembro, encerrando o ciclo de cortes. ;Essa leitura não pode ser feita sem levar em conta o trecho anterior em que o BC sinaliza que o ciclo de cortes está chegando ao fim;, afirmou. Conforme Oliveira, a defasagem da política monetária ainda se materializará nos próximos meses, levando em conta a perspectiva de que o Copom deve reduzir a taxa básica em 1,25 ponto percentual até o fim do ano.

A autoridade monetária ainda alertou que uma frustração das expectativas sobre as reformas e ajustes necessários para o reequilíbrio da economia pode elevar os prêmios de riscos e a trajetória de inflação. Esse risco se intensificará no caso de piora do cenário internacional, atualmente favorável às economias emergentes.

Riscos fiscais
O avanço das reformas fiscais é essencial para as discussões sobre o patamar de juros neutros da economia brasileira, avalia o economista-chefe do Banco Haitong, Jankiel Santos. Segundo ele, o Copom sinalizou que a moderação no ritmo de cortes é o movimento mais adequado para as próximas reuniões. Para Santos, o BC deu a entender que o ciclo de flexibilização da Selic está perto do fim. ;Isso nos leva a crer em uma queda de 0,75 ponto percentual em outubro, e outra de 0,5 ponto percentual em dezembro;, comentou.

Na avaliação dos analistas Hamilton Moreira Alves e Rafael Freda Reis, do BB Investimentos, juros abaixo de 7% em 2018 dependem de condições econômicas favoráveis. Para eles, o cenário mais provável é que a taxa termine o ano em 7%.

Os dois destacam, entretanto, que a inflação deve fechar o ano em 2,7%. ;Mesmo com a bandeira vermelha na energia elétrica, em agosto, o IPCA foi de apenas 0,19%. Graças à desaceleração dos alimentos, entendemos que, em setembro, com a redução da tarifa devido à implementação da bandeira amarela, a inflação permanecerá baixa;, ressaltaram.

Bolsa sobe
As boas perspectivas para a economia se refletiram na Bolsa de Valores de São Paulo, que subiu 1,75%, ontem, para 73.412 pontos. Com isso, a bolsa encostou no recorde de 73.516 pontos registrado em maio de 2008.

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