É preciso ter medo

É preciso ter medo

postado em 07/09/2017 00:00

A corrupção sempre impôs perdas incalculáveis à sociedade. As políticas públicas são sabotadas, faltam recursos para saúde, educação, segurança e outros serviços essenciais. Obras começam e nunca têm fim. As expectativas dos cidadãos são frustradas a todo instante. Nem é preciso enumerar os prejuízos. Eles são sentidos em todos os momentos no cotidiano dos brasileiros.


Na raiz dos danos está a ação de políticos, gestores e empresários inescrupulosos, que se valem dos cargos que ocupam para surrupiar o dinheiro público em benefício próprio ou dos grupos aos quais pertencem. Esse comportamento secular, que sempre escanteou as possibilidades de desenvolvimento do país, não cabe mais no Brasil.


Mas só recentemente começou a ser enfrentado. Os golpes que vieram à tona a partir de 2014 somam trilhões de reais roubados da sociedade. As imagens e gravações que chegam à opinião pública enojam e revolvam os brasileiros, a maioria privada de vida digna devido à corrupção, que contamina as estruturas do Estado. Os protagonistas dos escândalos debocham dos cidadãos e colocam em xeque a credibilidade dos poderes. Escárnio total. Sentem-se imunes às sanções penais.


A Operação Lava-Jato, com os desmembramentos e as ações de outras forças-tarefa, mostrou que o risco de ser descoberto deixou de ser possibilidade remota. Hoje, há como colocar ponto final aos desmandos. O instituto da delação premiada (ainda que necessite de aprimoramento), a revisão de marcos legais, as tecnologias modernas estão disponíveis aos que têm a missão de zelar pelos bens públicos, fazer cumprir a lei e tornar difícil a vida dos infratores.


Ao Judiciário cabe complementar o combate aos criminosos de colarinho branco. Na corrupção não há ativo nem passivo. Trata-se de relação dolosa, em que os dois lados, sem o menor escrúpulo, objetivam lucrar por meio ilícito. São pessoas de alta periculosidade aos interesses nacionais. Punição exemplar é essencial como medida preventiva e educativa. Mais do que medo, o horror às sanções deve prevalecer e inibir o ímpeto dos que pretendem delinquir contra a nação.

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