Pontapé inicial do espetáculo

Pontapé inicial do espetáculo

Duelo entre times de Tom Brady e Cairo Santos abre a temporada. Conheça a mulher que venceu o preconceito na NFL

MARCELO CARDOSO*
postado em 07/09/2017 00:00
 (foto: Kansas City Chiefs/Divulgação)
(foto: Kansas City Chiefs/Divulgação)


Sete meses após o desfecho mais improvável da história do futebol americano, a temporada de 2017/2018 da National Football League (NFL) começa hoje. Às 21h30, o atual campeão New England Patriots, do quarterback Tom Brady, responsável por comandar uma virada de 25 pontos no último Super Bowl, receberá o Kansas City Chiefs, do brasileiro Cairo Santos. A partida será em Foxborough, Massachusetts, e abre a temporada da modalidade que chama cada vez mais atenção no Brasil e tenta conquistar sua própria independência no país do futebol.

O futebol americano começou a se popularizar no Brasil na virada da última década. Se antes o público da modalidade era praticamente restrito a estrangeiros que moram no país ou brasileiros que residem fora, atualmente a base de fãs conta com 15 milhões de pessoas, segundo dados do Sponsorlink ; maior instituto de pesquisa especializada em esporte do mundo. O país é, há três anos, o terceiro maior mercado da modalidade no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, claro, e do México.

Os índices de audiência da NFL crescem a níveis significativos a cada ano. A ESPN, emissora de tevê a cabo detentora dos direitos de transmissão no Brasil, fala em um aumento de 800% entre 2013 e 2016. Em fevereiro deste ano, mais de 2,1 milhões de brasileiros ligaram a tevê para acompanhar o Super Bowl 52 na tevê fechada (ESPN) ou aberta (Esporte Interativo, que não detém mais os direitos da liga neste ano). Os dados são do Ibope Repucom. O número foi quase 40% superior ao registrado em 2016.

Prática

Mais do que audiência, porém, a modalidade está, definitivamente, chegando ao Brasil. Hoje, o país conta com mais de 120 times profissionais e um campeonato nacional desde 2006. A edição de 2016 levou, em média, 656 pessoas aos estádios nos 98 jogos da temporada, segundo dados do Futebol Americano Brasil ; portal especializado na cobertura da modalidade no país. O número parece pequeno, mas equivale a 77% da média de público do NBB e a 50% da Superliga de vôlei. Neste ano, a liga passou a ser gerida pelos próprios clubes, que criaram a Brasil Futebol Americano, em formato parecido com a NFL.

;Há um crescimento exponencial de consumo in loco das partidas. No começo, havia pouquíssimas pessoas nos locais de jogo. O público era basicamente composto por familiares ou amigos dos jogadores por uma razão bem simples: os jogos eram tecnicamente ruins e com pouca ou nenhuma estrutura para receber os fãs. Isso melhorou bastante de dois anos para cá. Hoje, podemos ver alguns estádios de Copa do Mundo receberem o futebol americano. Passou a fase de poucas pessoas para alguns milhares.;, explica Henrique Riffel, editor-chefe da Superliga nacional.

Há pouco menos de um mês, o Tubarões do Cerrado, representante do DF no Campeonato Brasileiro, levou cerca de 2,5 mil pessoas ao Mané Garrincha na vitória sobre o Goiânia Rednecks por 29 x 0. O número é 257% superior à média obtida em 2016, que ficou na casa dos 700 torcedores. O time volta a jogar no estádio de Copa do Mundo ; praticamente restrito agora ao futebol americano ; neste sábado, quando enfrenta o Sinop Coyotes-MT. ;A ideia é colocar mais ou pelo menos manter essa média de público;, afirma o presidente da equipe, Victor Fialho.

*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

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