Bolsa passa dos 74 mil pontos e bate recorde

Bolsa passa dos 74 mil pontos e bate recorde

Alta de 1,7% da B3 reflete o otimismo do mercado sobre recuperação da enconomia e a aposta no enfraquecimento de denúncia contra Temer com a prisão de Joesley Batista

RODOLFO COSTA HAMILTON FERRARI ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 12/09/2017 00:00
 (foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados - 21/11/16
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(foto: Antonio Augusto/Câmara dos Deputados - 21/11/16 )

O mercado está confiante na retomada da economia. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) atingiu a máxima histórica de 74.319 pontos, depois de subir 1,7%. Pela terceira semana consecutiva, analistas consultados pelo Banco Central (BC) revisaram para cima as previsões para o Produto Interno Bruto (PIB). A mediana das expectativas do último boletim Focus, divulgado ontem, apontam para um crescimento da atividade de 0,6% neste ano. Na semana passada, a estimativa dos agentes econômicos era de avanço de 0,5%.

O último pico histórico da bolsa foi registrado em 29 de maio de 2008, quando o índice ficou em 73.920 pontos. No ano, a B3 acumula ganho de 23,4%. A alta de ontem reflete, além das projeções do boletim Focus, a prisão de Joesley Batista, executivo da J que fechou acordo de delação premiada que comprometeu o presidente Michel Temer.

Segundo analistas, a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o chefe do Executivo perdeu força, agradando aos investidores, que veem possibilidade de aprovação de reformas com o peemedebista no cargo. Os ministros da Fazenda e do Planejamento, Henrique Meirelles e Dyogo Oliveira, garantiram que as mudanças nas regras previdenciárias devem ser votadas no mês que vem.

Apesar disso, alguns analistas consideram o otimismo fora da realidade. Para André Perfeito, economista da Gradual Investimento, o mercado está eufórico, mas há ;falta de bom senso; nas análises. Para ele, os motivos que sustentam a bolsa são ;sinais de fraqueza da economia;.

Além disso, na opinião de Perfeito, o cenário externo está favorável para o ;apetite; ao risco do mercado brasileiro. Segundo a B3, investidores estrangeiros passaram a contribuir em 49,7% dos negócios. Ainda sobre o lado internacional, os furacões Harvey e Irma levantam dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia dos Estados Unidos, afetando o mercado de câmbio. O dólar subiu 0,36%, cotado a R$ 3,106.

Euforia

A euforia do mercado não se limita apenas a 2017. Para 2018, a mediana das expectativas aponta para crescimento de 2,10% ; 0,10 ponto percentual acima do último resultado do boletim Focus. O otimismo tem dividido analistas. Alguns acham que ainda faltam resultados mais consistentes para bancar uma reação mais forte. É o que avalia o economista José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB).

;Há um otimismo exagerado de crescimento. Se olharmos os dados do PIB do segundo trimestre, o crescimento foi puxado pelo consumo das famílias. Mas esse comportamento decorreu basicamente de gastos com os recursos do saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS);, alertou. Para Oreiro, a atividade deve registrar crescimento de até 0,5%, não mais do que isso. ;O consumo não deve continuar sustentando esse crescimento. Tampouco os investimentos e os gastos do governo, que devem continuar em queda;, acrescentou.

Outros analistas, no entanto, vão na direção oposta. Para a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, não há exagero nas revisões do Focus. ;Diferentemente do ano passado, quando havia uma visão excessivamente otimista em relação ao crescimento para 2017, hoje, temos razões mais concretas;, sustentou.

Na avaliação dela, um dos principais motores que sustentam a perspectiva de crescimento do PIB no patamar de 0,6% é a taxa básica de juros (Selic). ;Hoje, falamos de um movimento bastante interessante de relaxamento monetário. Uma inflação lá embaixo, com mais espaço de corte de juros;, avaliou.

Congresso de tecnologia vai até amanhã em Taipei
Taipei, a capital de Taiwan, sedia até amanhã o Congresso Mundial de Tecnologia da Informação (WCIT 2017), iniciado no domingo. O evento do ano passado ocorreu em Brasília. Taiwan já sediou o WCIT em 2000, com a presença do fundador da Microsoft, Bill Gates. A edição deste ano reúne 2.500 líderes empresariais de 80 países. Eles discutem como as tecnologias digitais podem ser usadas para solucionar problemas como falta de energia, poluição, envelhecimento populacional e saúde.


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