Nova York, aí vou eu

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Artistas brasileiros buscam novos mercados e aprimoração no teatro norte-americano

» Isabella de Andrade Especial para o Correio
postado em 12/09/2017 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


Para dar vasão ao sonho de estudar e trabalhar com no mercado artístico e expandir seus horizontes culturais, artistas de Brasília partem rumo a Nova York para trabalhar com teatro e musicais. Em comum, a vontade de enriquecer a bagagem com novas técnicas e aprendizado, além de experimentar a performance nos palcos de um dos maiores centros teatrais do mundo.

Na cidade mais populosa dos Estados Unidos, os teatros se espalham a cada esquina, variando em tamanho, visibilidade e estilos de montagem. As oportunidades são muitas, assim como os espaços e os concorrentes. Entre os brasilienses que saíram do país em busca do objetivo de fazer carreira nas artes cênicas estão: André Torquato, Melissa Kruger, Rafaela Raposo e Renata Soares.

Melissa Kruger se divide entre a dança, o teatro e o canto desde os 15 anos e se mudou há 2 para NY. A ideia era se dedicar de maneira integral à carreira artística e aprimorar seus estudos na área. O treinamento nova -iorquino é intenso e Melissa afirma que a competição é brutal, ainda que as possibilidades sejam muitas. ;Apesar da dificuldade, conheci diretores e profissionais incríveis que me deram ótimas oportunidades de mostrar o meu trabalho;, conta a atriz.

Ela já particiou de montagens off broadway (produções de menor orçamento) como Cabaret, Urinetown e protagonizou a peça Eurydice. A formação acadêmica para abrir caminhos no novo país foi feita na New York Film Academy e na escola de dança Peridance. ;Por enquanto, eu quero morar por aqui, eu construí uma rede de relacionamentos muito boa e gosto do rumo que minha carreira está tomando. Mas, sem dúvida, eu adoraria fazer parte da arte no Brasil, que cresce a cada dia e me deixa tão orgulhosa;.

A artista lembra que iniciar a carreira como imigrante nos EUA não é fácil, a competição é ainda mais acirrada e outros aspectos são levados em conta, como o sotaque. ;Nós, imigrantes, trabalhamos em dobro e as pessoas daqui gostam de quem trabalha duro. Tenho outros empregos para me sustentar, mas trabalho diariamente com arte, tem audição constantemente e milhares de oportunidades por dia;, destaca.

O jovem veterano André Torquato começou seus trabalhos profissionais em 2009, aos 15 anos, com o musical A noviça rebelde, em São Paulo. Ele saiu do Brasil há 4 anos e se formou em interpretação para teatro, tevê e cinema na Lee Strasberg Theater and Film Institute. Atualmente, trabalha principalmente em espetáculos de regional theater (peças ao redor dos EUA) e já foi convidado para uma produção na Nova Zelândia.

André Torquato destaca que gente de todo o mundo tenta carreira em NY, o que deixa a concorrência acirrada. ;O sonho da Broadway não é conquistado por todos que fazem parte da comunidade artística, mas também não é necessário. Regional Theaters e as National Tours são uma ótima opção para se viver de teatro;, destaca.

O ator lembra que grande parte dos artistas no país tem um emprego alternativo para ajudar com as contas, e o trabalho artístico é feito de maneira simultânea, ainda que com forte dedicação de tempo, treinamento e estudos. ;Minha vida profissional mudou, principalmente, porque meu lado pessoal cresceu com a mudança;.

Foco nos estudos

A atriz Renata Soares saiu de Brasília com foco em aprimorar seus estudos e se aprofundar em técnicas trabalhadas especificamente nas produções norte-americanas, desenvolvida por Sanford Meisner, que parte da premissa de que o ator tem que se libertar de qualquer ideia de como a cena vai acontecer e foque toda a sua atenção em seu parceiro de cena, aprendendo a ser afetado pelo que vier a acontecer.

;O que me trouxe para Nova York nem foi tanto o mercado, mas a educação. Eu sabia que encontraria aqui técnicas que não são trabalhadas em Brasília. E, pessoalmente, eu sentia falta disso, de uma técnica, de um processo de construção de personagem;, destaca.

Rafaela Raposo se mudou após passar em uma audição para a New York Film Academy e conta que chega a fazer três audições por semana na cidade. ;Nós temos aulas com artistas que trabalham constantemente, então criamos uma rede de contatos muito legal;, conta.

Entre trabalhos e produções acadêmicas, a atriz já participou de cerca de 10 produções, entre peças e musicais. O fluxo de trabalhos, testes, treinamentos e estudos é grande e, para os artistas brasilienses, essa é uma ótima chance de trazer novas experiências para o DF e aprimorar a bagagem pessoal, cênica e profissional.



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