Cinco nomes desde 1995

Cinco nomes desde 1995

postado em 17/09/2017 00:00

O histórico dos mandatários do Ministério Público Federal ao longo dos últimos 22 anos mostra oscilações de tempo de permanência no cargo, da forma de escolha e, acima de tudo, de atuação no exercício do cargo. Ao longo deste período, o posto de procurador-geral da República foi exercido por cinco nomes até desaguar em Raquel Dodge. Escolhido no início do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique, Geraldo Brindeiro foi o mais longevo de todos, permanecendo no cargo ao longo dos oito anos do governo tucano.


Mesmo tendo sido o procurador que mais tempo comandou o MPF ; ele acabou reconduzido quatro vezes ;, não é essa a principal característica pela qual Brindeiro é lembrado. Ele ganhou o apelido jocoso de ;engavetador-geral da República;. De 626 inquéritos criminais que recebeu, ele engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias acabaram aceitas. As acusações recaíam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro referiam-se ao próprio presidente.


A mudança na gestão federal do PSDB para o PT trouxe uma característica nova na sucessão ao cargo de procurador-geral. Aconselhado pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, morto em novembro de 2014, Luiz Inácio Lula da Silva decidiu escolher, sempre, o primeiro nome da lista tríplice entregue pela Associação Nacional dos Procuradores da República.


O primeiro agraciado foi Claudio Fonteles, que pediu, contudo, para exercer apenas um mandato de dois anos. Teve uma atuação discreta se comparado aos seus sucessores. Muitos alegam que ele teria vislumbrado os tempos tumultuados que viriam e preferiu não ser reconduzido. Pura maldade que circula nos corredores da PGR. Depois que deixou o Ministério Público Federal, ainda integrou a Comissão Nacional da Verdade, antes de se aposentar definitivamente.


Depois de Fonteles, Lula escolheu Antônio Fernando de Souza, que esteve no cargo por quatro anos, entre 2005 e 2009. Notabilizou-se por ter denunciado diversos integrantes do governo petista pelo escândalo do mensalão. Entre os acusados estavam nomes poderosos do governo e do PT, como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Silvio Pereira, entre outros. Depois que se aposentou, passou a atuar como advogado, tendo defendido, por exemplo, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.


Por fim, vem Roberto Gurgel, que dividiu os mandatos entre a gestão de Lula e o início da de Dilma Rousseff. Foi o responsável por conduzir o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Em uma atuação afinada com o relator do caso no STF, Joaquim Barbosa, conseguiu a condenação da maioria dos réus, incluindo nomes de peso como o ex-chefe da Casa Civil do governo Lula José Dirceu; o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha; e o ex-presidente do PT José Genoino. (PTL e NL)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação